Praia do Norte (freguesia)

Geografia Freguesia do concelho da Horta, situada na costa noroeste da ilha do Faial. É limitada a sul e a oeste pela freguesia do Capelo, a este pela freguesia dos Cedros e a norte pelo Oceano Atlântico. Apresenta uma configuração triangular, com cerca de 13,9 Km2, o que corresponde a 8 % da superfície concelhia, distando da sua sede 22 Km, aproximadamente.

A freguesia tem uma topografia acidentada com declives acentuados na direcção sudeste – noroeste. Destacam-se alguns cones vulcânicos e, sobretudo, a arriba fóssil da Costa Brava (Figura 1). A antiga arriba foi fossilizada pelos materiais do Complexo Vulcânico do Capelo, estando hoje cobertos pelas emissões da erupção histórica do Cabeço do Fogo (1762), responsável pela destruição generalizada da freguesia e que conduziu à perda do seu estatuto durante vários anos. A altitude máxima (930 m) é registada no Alto do Ponto, na cumeeira da Caldeira do Faial. A linha de costa, com cerca de 4,7 Km, é baixa e ligeiramente recortada, apenas interrompida pela Baía da Ribeira das Cabras, onde se forma a Praia da Fajã, passando depois a um troço de costa extremamente alto e marcado por arribas imponentes. A rede hidrográfica é formada por linhas de água de regime torrencial, com destaque para as Ribeira das Cabras e Funda. Em termos paisagísticos, os Miradouros da Costa Brava e da Ribeira das Cabras proporcionam pontos de vista sobre as arribas costeira. Relativamente à conservação da natureza, as partes sul e oeste da freguesia são abrangidas pelo Sítio de Interesse Comunitário (SIC) da Caldeira e Capelinhos e pela Zona de Protecção Especial (ZPE) da Caldeira e Capelinhos.

Quanto à ocupação humana, o padrão de povoamento é do tipo linear, desenvolvendo-se edificado junto à estrada e linha de costa. Os principais núcleos populacionais são a Praia de Baixo e de Cima e a Fajã, um lugar de veraneio adjacente à praia. A agro-pecuária, a exploração de pedra e areia e o pequeno comércio são a base da economia local. No início do século XX residiam nesta freguesia 639 habitantes, valor que sofreu um pequeno decréscimo no período 1911-1920, mas recuperado nas décadas seguintes e até 1950, altura em que atingiu cerca de 700 habitantes (Figura 2). A partir desta data a população residente regista uma quebra acentuada fruto da corrente emigratória após a erupção do Vulcão dos Capelinhos, em 1957-58, que provocou avultados danos na freguesia. No XIV Recenseamento Geral da População de 2001 (INE, 2002) foram apurados 259 habitantes, o que corresponde a uma densidade populacional de 18,7 hab/Km2. João Mora Porteiro

Bibl. Instituto Nacional de Estatística (2002), XIV Recenseamento Geral da População. Lisboa, Instituto Nacional de Estatística.