Porto Carreiro, João Cardoso da Cunha Araújo e Castro (1.º visconde de Porto Carreiro)
[N. Sandim (Feira), 20.10.1792 m. ?, 14.1.1864] Matriculou-se na Universidade de Coimbra mas ainda estudante, em 1807, alistou-se no Batalhão Académico para combater os franceses. Concluído o curso fez leitura no Desembargo do Paço (1815) como bacharel em Direito e seguiu a magistratura, sendo juiz de fora em Santarém e em 1820 corregedor de Viseu, com a direcção dos serviços de policiamento da Beira Alta, conseguindo limpar a zona das quadrilhas. Por ser de formação liberal foi demitido em 1823 para em 1826, com a proclamação da Carta Constitucional, voltar a ser nomeado, agora corregedor da comarca do Porto e no ano seguinte transferido para Braga. Com a aclamação de D. Miguel rei absoluto, seguiu os liberais para o exílio em Inglaterra depois da derrota da revolução do Porto, em 1828, durante a qual foi corregedor na cidade. Passou à ilha Terceira em 1831, sendo então nomeado juiz da Relação dos Açores, criada por decreto de 16 de Maio de 1832. Em 1833 passou à Relação do Porto e de seguida à Relação Comercial da capital, para em 1836 ser nomeado juiz do Supremo Tribunal da Justiça.
Teve também uma carreira política, sendo eleito senador pelos círculos do Porto e de Braga, em 1838, na vigência da Constituição e em 1839 foi ministro da Justiça no governo do Barão de Sabrosa (18 de Abril a 26 de Novembro).
Casou em 1844 com D. Helena Cardoso de Faria e *Maia, filha de micaelenses e esteve muitos anos afastado da política, mas voltou a ser eleito agora deputado nas listas do Partido Histórico pelo círculo de Ponta Delgada para as legislaturas de 1857-1858, 1858-1859, 1860-1861 e pelo círculo uninominal de Vila Franca do Campo para a de 1861-1864, que não terminou por ter sido nomeado Par do Reino em 1862. Como deputado apresentou várias propostas para melhoramentos em S. Miguel, nomeadamente a doca do Ponta Delgada, estradas e faróis.
Foi fidalgo da Casa Real e agraciado com a comenda da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa e o grau de Cavaleiro da Ordem de Cristo. Recebeu a mercê do título de visconde de Porto Carreiro, em duas vidas, por decreto de 18 de Agosto de 1855 (D. Fernando regente) J. G. Reis Leite
Bibl. Mónica, M. F. (coord) (2006), Dicionário Biográfico Parlamentar (1834-1910). Lisboa, Assembleia da República, III: 371. Nobreza de Portugal (1961). Lisboa, Editorial Enciclopédia, III: 168-169. Rodrigues, V. L. G. (1985), A geografia eleitoral dos Açores de 1852 a 1884. Ponta Delgada, Universidade dos Açores: 44-58.
