poço, cratera

Crateras de abatimento de forma circular ou elíptica comuns nos vulcões em escudo havaianos (pit crater), mas ocorrendo também noutros vulcões formados por lavas de composição básica. Podem formar-se na região central do vulcão ou nas suas encostas. As paredes da cratera, verticais, cortam a sucessão lávica e nos bordos não se depositaram quaisquer produtos piroclásticos relacionados com a formação da depressão vulcânica. As suas dimensões podem variar entre diâmetro de alguns metros até cerca de 1 km enquanto que as profundidades podem atingir 300 m (MacDonald, 1972). Pensa-se que a sua génese se deve a esvaziamento rápido de condutas vulcânicas subjacentes devido a refluxo para a profundidade ou como consequência de extrusão lávica a cotas mais baixas. Há quem considere estas crateras como pequenas caldeiras, mas o processo genético é distinto numas e noutras.

Nos Açores a principal cratera deste tipo é a cratera poço do topo do Vulcão do Pico. Aquela estrutura é quase perfeitamente circular, tem 600 m de diâmetro e as suas paredes, cortadas verticalmente em derrames pahoehoe, apresentam altura máxima de 22 m. O ponto mais alto do rebordo situa-se no lado SW à cota 2252 m. Parte das paredes desabaram a norte e nordeste. O fundo da cratera encontra-se parcialmente preenchido por um cone muito íngreme formado por um empilhamento de lavas em tripas.

Outras três crateras poço ocorrem na ilha do Pico. Todas apresentam paredes cortadas em empilhamentos de escoadas e ausência de depósitos piroclásticos associados. A mais pequena, com forma circular e diâmetro de 50 m, é a Cova do Cabo da Canada, situada cerca de 1 km a ESE do Cabeço do Padre Glória e alinhada com este; as outras duas têm forma elíptica, 250 m de diâmetro maior, e localizam-se sobre a fractura do Cabeço dos Sardos, imediatamente a ESE daquele cone. Qualquer da três apresenta paredes verticais, mais ou menos adoçadas por depósitos de vertente, profundidade entre 15 e 30 m e fundo constituído por blocos. Estas estruturas terão resultado da criação de bolsadas pouco profundas ao longo dos filões alimentadores dos cones próximos, cujo esvaziamento, durante ou após a erupção, terá dado origem ao abatimento do tecto dessas câmaras (Madeira, 1998). José Madeira

Bibl. MacDonald, G. A. (1972), Volcanoes. Prentice-Hall, Inc., Englewood Cliffs, New Jersey. Madeira, J. (1998), Estudos de neotectónica nas ilhas do Faial, Pico e S. Jorge: uma contribuição para o conhecimento geodinâmico da junção tripla dos Açores. Tese de Doutoramento, Universidade de Lisboa.