Plínio-o-Novo

Sobrinho do naturalista e historiador romano Plínio, encontrava-se com o tio na base naval de Misenum (no extremo oeste da baía de Nápoles) quando se desencadeou a erupção do Vesúvio do ano 79 AD (Anno Domini) que sepultou Pompeia e Herculano. Quando Plínio, que era também comandante da frota romana, resolveu atravessar a baía de Nápoles para fazer observações mais próximas da erupção e socorrer alguns amigos, Plínio-o-Novo não o quis acompanhar. Essa decisão valeu-lhe a sobrevivência, ao contrário do que sucedeu a Plínio, que sucumbiu aos efeitos de uma escoada piroclástica cuja orla atingiu a área de Stabiae, do lado oposto da baía, onde se encontrava na manhã de 25 de Agosto.

A descrição da erupção, muito pormenorizada, que consta de duas cartas escritas ao historiador Tácito por Plínio-o-Novo (então com 17 anos), é um dos melhores e mais antigos relatos escritos de uma erupção explosiva e da formação e desenvolvimento de uma grande coluna eruptiva. Este facto, bem como o desejo de honrar a memória de Plínio-o-Velho, levou à adopção na literatura científica da designação de Pliniana para este tipo de erupções (Scarth, 1994).

Todos os vulcões açorianos que emitiram lavas traquíticas (Furnas, Fogo, Sete Cidades, Guilherme Moniz, Pico Alto, Santa Bárbara, caldeiras do Faial e da Graciosa), geraram erupções plinianas. Estas caracterizam-se por produzir colunas eruptivas com altura normalmente da ordem das dezenas de quilómetros e emitir volumes de material piroclástico, geralmente lapilli de pedra-pomes, entre 107 e 1013 m3 (0,01 a 10.000 km3). José Madeira

Bibl. Scarth, A. (1994), Volcanoes. London, University College of London Press.