piroxena

Grupo de minerais, de composição química muito variável, constituído por silicatos de cálcio, magnésio, ferro, sódio, manganês e lítio; nalgumas composições o alumínio também está presente. As piroxenas mais comuns formam duas séries cuja composição varia entre quatro extremos: Diópsido (CaMgSi2O6), Hedenbergite (CaFeSi2O6), Enstatite (MgSiO3) e Ferrossilite (FeSiO3). As piroxenas da série Diópsido-Hedenbergite, que cristalizam no sistema monoclínico, são designadas clinopiroxenas, enquanto que as da série Enstatite-Ferrossilite são chamadas ortopiroxenas por cristalizarem no sistema ortorrômbico. Neste sistema a composição das piroxenas é geralmente descrita em termos da percentagem molecular de três extremos composicionais os silicatos de cálcio, magnésio e ferro: Wolastonite (CaSiO3 – um mineral do grupo dos piroxenóides), Enstatite e Ferrossilite. Na série Diópsido-Hedenbergite, a substituição na rede cristalina de cálcio por sódio e sílica por alumínio, dá origem à piroxena Augite. Na série Enstatite-Ferrossilite, a presença de algum cálcio na molécula dá origem à piroxena Pigeonite. Outras piroxenas contêm sódio na composição, como a Égirina (NaFeSi2O6) e a Jadeíte (NaAlSi2O6). Uma variedade mais rara, contendo lítio, é a Espodumena (LiAlSi2O6).

As piroxenas da série Enstatite-Ferrossilite (Enstatite, Bronzite, Hiperstena, Ferrohiperstena, Eulite, Ferrossilite) cristalizam no sistema ortorrômbico, ocorrendo frequentemente sob a forma fibrosa ou lamelar e raramente como cristais prismáticos. As piroxenas da série ferro-magnesiana podem também cristalizar no sistema monoclínico (clinoenstatite-clinoferrossilite), mas a sua raridade sugere que a estrutura monoclínica seja menos estável que a ortorrômbica a baixas temperaturas. Apresentam duas direcções de clivagem, uma delas bem desenvolvida. A dureza é 5,5-6 e a densidade aumenta com o teor em ferro, variando entre 3,2 e 3,6. O brilho é em geral vítreo ou nacarado, podendo ser submetálico na Bronzite. Os cristais são translúcidos de cor esverdeada a acastanhada, ou negra quando mais ricas em ferro. As ortopiroxenas magnesianas são minerais comuns em rochas ígneas como os peridotitos, gabros e basaltos, e em rochas metamórficas de alta pressão e temperatura. Os termos ricos em ferro são frequentes em formações ferríferas metamorfizadas.

A Pigeonite cristaliza no sistema monoclínico, aparecendo raramente como fenocristais prismáticos bem desenvolvidos. Tem dureza 6, densidade 3,30-3,46 e cor castanha, castanho-esverdeada e negra. Ocorre em rochas vulcânicas de alta temperatura que sofreram arrefecimento rápido e em algumas rochas intrusivas. A temperaturas mais baixas é instável, transformando-se noutras piroxenas.

As clinopiroxenas da série Diópsido-Hedenbergite e a Augite cristalizam no sistema monoclínico, ocorrendo normalmente como cristais prismáticos de secção quadrangular ou octogonal. Apresenta duas direcções de clivagem que fazem ângulos de 87º e 93º entre si. A dureza varia entre 5 e 6 e a densidade é de 3,2-3,3. A cor, verde clara no diópsido, escurece com o aumento do teor em ferro, sendo preta na augite. Os cristais são transparentes ou translúcidos e o brilho é vítreo.

O Diópsido e a Hedenbergite são minerais constituintes comuns em rochas metamórficas e ígneas. A Augite é a piroxena mais comum em rochas ígneas como basaltos, andesitos, gabros e peridotitos.

A Égirina é uma piroxena menos comum que ocorre em rochas ígneas ricas em sódio e pobres em sílica como os sienitos nefelínicos e os fonólitos, e em algumas rochas metamórficas.

O nome deste grupo de minerais é uma palavra composta dos termos gregos pyrós (fogo) e xenós (estranho), pois, quando o nome foi atribuído pensava-se que não ocorriam em rochas ígneas.

Nos Açores os minerais do grupo das piroxenas, particularmente a Augite, são constituintes comuns das rochas ígneas básicas como os basaltos (s. l.), que ocorrem em todas as ilhas. José Madeira