Pires, António Manuel Bettencourt Machado
[N. Sé, Angra do Heroísmo, 17.11.1942] Professor universitário, humanista. Licenciado em Literatura Portuguesa, pela Universidade de Lisboa (1966), obteve o grau de Doutor em Literatura Portuguesa pela Universidade dos Açores, em 1979, com a dissertação Sobre a ideia de decadência na geração de 70, e o título de Agregado, pela mesma Universidade, em 1982, com a lição Raul Brandão e Vitorino Nemésio e o relatório O século XIX em Portugal e o conflito de gerações.
Na docência universitária, exercida primeiro na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, inicialmente a convite de Delfim Santos, com quem não chegou a trabalhar por este ter falecido, e depois como colaborador de Vitorino Nemésio, Luís Filipe Lindley Cintra, Jacinto do Prado Coelho e David Mourão-Ferreira foi encarregado do ensino de diversas disciplinas, geralmente relacionadas com a história da cultura e a literatura em Portugal. Depois, na Universidade dos Açores, a par de disciplinas daquelas áreas também se encarregou de outras tratando a sociedade e a cultura, as técnicas de expressão do Português e outros estudos linguísticos. Integrou júris de provas académicas e orientou numerosas dissertações de mestrado e de doutoramento.
Realizou inúmeras conferências e seminários e participou em diversas reuniões científicas no país e no estrangeiro, frequentemente colaborando na sua organização. É autor de uma longa lista de publicações em livro, de prefácios e introduções, de artigos, comunicações e recensões em revistas nacionais e estrangeiras. A propósito, refiram-se os seus trabalhos sobre D. Sebastião, Alexandre Herculano, Antero de Quental, Raul Brandão, Vitorino Nemésio e a Geração de 70 que relacionam o seu nome com os estudos da cultura portuguesa de que se tornou um dos mais importantes ensaístas.
Teve acção notável na fundação e divulgação do Seminário Internacional de Estudos Nemesianos que tem por objectivos divulgar e aprofundar a obra de Vitorino Nemésio.
Ainda na Universidade dos Açores, para além de outros cargos, foi reitor, entre Dezembro de 1982 e Julho de 1995. Nesta circunstância aproveitou para credibilizar e expandir a Universidade, no contexto do sistema nacional do Ensino Superior e em contactos internacionais, quer através da consolidação de curricula específicos de interesse para as ilhas açorianas quer visando o paralelismo de formação e a vinculação que correspondesse a uma filosofia institucional, permanente, o mais próxima da Universidade portuguesa quer ainda através de convénios com Universidades estrangeiras. Defendeu a presença de alunos de todos os pontos do país como factor de enriquecimento e de divulgação da Universidade, entendendo esta como factor maior da universalidade dos Açores.
A sua cultura e a sua sensatez permitiram-lhe ser, simultaneamente, um professor que divulgou conhecimentos, incentivou, orientou e dirigiu e um humanista preocupado com a qualidade dos seres humanos e das instituições.
Grande Oficial da Ordem de Instrução (1988), também possui a Medalha Brasileira dos 25 anos da Universidade Federal de Santa Catarina.
É colaborador da Enciclopédia Açoriana. Luís M. Arruda
Obras que interessam mais especificamente aos Açores: (1971), Bibliografia do Prof. Doutor Vitorino Nemésio. In Miscelânea de estudos em honra do Professor Vitorino Nemésio, Lisboa, Faculdade de Letras: XLIII-LXVIII. (1971), Uma carta inédita sobre a acção de 11 de Agosto de 1829 na Vila da Praia. In Miscelânea de estudos em honra do Professor Vitorino Nemésio. Lisboa, Faculdade de Letras: 327-333. (1971-1975), A Pastorícia dos bovinos na ilha Terceira. Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, 29-33: 231-398 [estudo da linguagem, adagiário, literatura popular e culta ligadas ao mundo agro-pecuário; sugerido e orientado no seminário do Prof. Doutor Vitorino Nemésio]. (1979), Marcas de insularidade no Mau Tempo no Canal de Vitorino Nemésio. Arquipélago, (Ciências Humanas), 1: 79-90. (1979), Nemésio e os Açores. Colóquio-Letras, 48, Março: 5-15. (1979), Emigração e cultura. In Anais do Congresso de Comunidades Açorianas, Angra do Heroísmo, Agosto de 1978. Angra do Heroísmo, Comissão preparatória do I Congresso de Comunidades Açorianas: 101-108. (1981), Vitorino Nemésio Professor. In Linguagem, Linguagens e Ensino. Ponta Delgada, Universidade dos Açores: 27-34 [comunicação apresentada em Angra do Heroísmo, comemorações do aniversário da morte de Vitorino Nemésio, lida em 3 de Março de 1979]. (1981), Açores: une quête de la condition insulaire. Le Monde, 19 de Junho. (1981), Emigração, cultura e modo de ser açoriano. Revista Lusitana, (nova série), I: 7-18. (1982), Os Açores, a Terceira e o liberalismo. Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, XL: 359-374. (1983), Para a discussão de um conceito de literatura açoriana. Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, XLI: 742-858. (1985), Língua e criação literária em Vitorino Nemésio. Actas do Congresso ?A Situação da Língua Portuguesa no Mundo?: 465-475, Lisboa, Instituto de Cultura e Língua Portuguesa. (1987), A identidade da cultura açoriana. Arquipélago, (Línguas e literaturas), 9: 155-166. (1988), Raúl Brandão e Vitorino Nemésio. Lisboa, Imprensa Nacional-Casa da Moeda. (1992), Antero romântico. Revista de História das Ideias, Coimbra, Edição Comemorativa do Centenário da Morte de Antero: 165-177. (1993), Antero e a olímpica exemplaridade de uma geração. In Actas do Congresso Anteriano Internacional.
