Pimentel, Jorge Goulart

[N. Faial, ?? – m. Faial, 9.8.1678] Nono capitão-mor do Faial e governador da ilha do Pico (1660? – 1678?). Filho de Tomás de Pórras Pereira e de Aldonsa Martins, era fidalgo da casa de Sua Alteza e cavaleiro professo do hábito de Cristo (Macedo, 1981 [1871], 1: 419; cf. Rosário, 2005: 70, 71).

Enquanto capitão-mor do Faial mandou construir o forte da Greta, no Monte da Guia, com duas casas de recolhimento, guarnecido de artilharia; reconstruir o fortim da Boa Viagem, que um temporal havia destruído, acrescentando-o para nele jogarem as oito peças que mandou instalar; concluir as obras de reparação e de ampliação do castelo de Santa Cruz; e modificar ou fazer de novo quase todas as muralhas de defesa da vila, arruinadas por mar tempestuoso (Lima, 1943).

Quando da erupção vulcânica no Cabeço do Rilha-Boi, Praia do Norte, em 1672, visitou pessoalmente aquela freguesia e a do Capelo, levando socorros e conforto. Daqueles afectados pelo evento, graças à sua intervenção junto do governo do reino, em 1675, enviou para o Grão-Pará, Brasil, 50 casais (234 pessoas) (Lima, 1943: 73, 360). Mais, mandou reconstruir a igreja do Capelo, que o fogo vulcânico havia destruído, e reparar a da Praia do Norte (Lima, 1943: 73, 360).

Goulart Pimentel e a mulher Maria Montojo, por testamento de 27 de Abril de 1661, dotaram a ermida da Senhora da Guia, de toda a terra «que se achasse ser sua, do portão para cima, com a pensão das três missas do Natal, pela alma do pai Tomás de Pórras, de quem foi a ermida; com a declaração, que vindo as terras a render com que se faça uma sacristia, e se ponha um farol, para este de noite aceso, que se faça, e se ponha» (Rosário, 2005: 71).

Segundo Rosário (2005: 72), referindo o testamento do padre José Pereira da Silveira, seu filho natural, terá mandado construir as igrejas de Candelária, de S. Mateus e de S. João.

Foi sepultado na capela de S. Brás da igreja do convento de S. Francisco (Lima, 1922: 498; 504-508). Luís M. Arruda

Bibl. Lima, M. (1922), Famílias faialenses: subsídios para a história da ilha do Faial. Horta, Tip. Minerva Insulana. Id. (1943), Anais do Município da Horta. Vila Nova de Famalicão, Oficinas Gráficas Minerva. Macedo, A. L. S. (1981 [1871]), História das quatro ilhas que formam o districto da Horta. Horta, Typ. de L. P. da Silva Correa, 1. Rosário, F. G. (2005), Memória genealógica das famílias faialenses. Angra do Heroísmo, Instituto Açoriano de Cultura.