Pico da Pedra (freguesia)

Geografia Freguesia do concelho da Ribeira Grande, situada no interior da ilha de São Miguel, próxima da costa norte (2 km). É limitada a norte pela freguesia de Calhetas, a este pela freguesia de Rabo de Peixe, a oeste pelas freguesias de Calhetas e dos Fenais da Luz (concelho de Ponta Delgada) e a sul pelas freguesias da Fajã de Cima, São Roque e do Livramento (concelho de Ponta Delgada). Apresenta uma forma irregular, com cerca de 6,6 Km2, o que corresponde a 3,6 % da superfície concelhia, distando da sua sede 9,8 km, aproximadamente.

A freguesia tem uma topografia bastante regular, com declives suaves embora interrompidos por pequenos cones vulcânicos que sobressaem na paisagem. O território pertence ao Complexo Vulcânico dos Picos (Figura 1), unidade geológica mais recente da ilha de São Miguel. A altitude máxima (374 m) é registada no Vértice Geodésico da Cruz, situado no norte da freguesia. A rede hidrográfica é muito incipiente, devido à topografia suave e à constituição do solo, dominada por materiais permeáveis (cascalho). A sua toponímia deve-se ao importante cone vulcânico de escórias (bagacina de coloração avermelhada) que se eleva na região central da freguesia.

A ocupação humana desta freguesia remonta à data do povoamento da ilha. Actualmente, a população está concentrada no núcleo central do Pico da Pedra, Tronqueira e nas imediações do Pico do Ataíde. A procura de alternativas para a construção de novas habitações tornou esta freguesia um pólo de atracção da população das cidades de Ponta Delgada e da Ribeira Grande. A agro-pecuária, a indústria e o pequeno comércio são as principais actividades económicas locais. Quanto à evolução demográfica, a dinâmica populacional foi variável ao longo do século XX (Figura 2). De facto, em 1900 registaram-se 2.351 habitantes, mas na primeira década o crescimento foi acentuadamente negativo, ao qual se seguiu um acréscimo contínuo até 1960. A partir deste período e até 1981 os efectivos decresceram novamente, tendo-se contabilizado neste ano 1.487 habitantes. Este momento marca uma viragem com a chegada de novos residentes, tendo sido apurados 2.426 habitantes no XIV Recenseamento Geral da População de 2001 (INE, 2002), o que corresponde a uma densidade populacional de 369,3 hab/Km2. João Mora Porteiro

 

História, Actividades Económicas e Culturais Freguesia do concelho da Ribeira Grande, com uma área é de 6,5 km2, localizada no interior da costa norte da ilha de S. Miguel. O seu topónimo deriva de um dos seus picos, o Pico da Pedra, com 234 m de altitude, a sul do povoado.

O seu povoamento ter-se-á iniciado em meados do século XVI. Frutuoso, no livro IV das Saudades da Terra (1998), embora não fale do povoamento, fala de homens a cujos nomes acrescenta «do Pico da Pedra».

Pelo testamento de Manuel Moniz, datado de 1604, temos a notícia da construção da ermida de Nossa Senhora dos Prazeres. Foi neste pequeno templo, curato desde 1735, que até ao início do século XIX, se realizou todo o serviço religioso da localidade.

A igreja paroquial, também dedicada a Nossa Senhora dos Prazeres, foi iniciada a sua construção em 1802 e benzida em 1807. Nessa altura vivia no Pico da Pedra cerca de um milhar de pessoas.

Por alvará de 16 de Junho de 1835, o Pico da Pedra foi elevado a freguesia, anteriormente era considerado um lugar da freguesia do Bom Jesus de Rabo de Peixe.

No ano de 1836 foi inaugurada a canalização da água potável e do respectivo chafariz.

As escolas oficiais foram criadas em 1872.

A partir de 1881, iniciaram-se as procissões em honra da padroeira, Senhora dos Prazeres.

Na primeira metade do século XX, desenvolveu-se no Pico da Pedra, uma intensa actividade cultural: grupos de teatro, duas filarmónicas e uma tuna. A par disso, nos anos vinte, iniciou-se a canalização da água ao domicílio. A corrente eléctrica foi inaugurada em Outubro de 1931.

Na segunda metade do século XX os habitantes do Pico da Pedra passaram, gradualmente, de uma população tipicamente rural, dedicada na sua maioria à agricultura e pecuária, para uma população que se dedica, essencialmente, à prestação de serviços, empregada maioritariamente em Ponta Delgada. Nessa época surgiram na freguesia uma série de iniciativas. Assim, nos anos 60 foram construídos novos edifícios escolares e um Centro Social; nos anos setenta e oitenta, cooperativas de habitação e consumo, parques para a prática desportiva, assim como zonas de lazer e outros equipamentos destinados à melhoria da qualidade de vida dos picopedrenses.

Na área da localidade está implantada, desde 1989, a fábrica de cimentos, Cimentaçor, Cimentos dos Açores Lda.. Existem também pequenas indústrias ligadas à área da construção civil, nomeadamente serrações de madeiras, e carpintarias. No ramo alimentar destaque para a fabricação de bolos e massas sovadas da Pastelaria Fonte Bela, e, para a Capriaçores que se dedica ao fabrico de queijos frescos e curados. Para além de duas empresas que prestam serviços de contabilidade e um gabinete onde se elaboram projectos para construção civil, existe também a sul da localidade o kartódromo, com pista em terra batida, destinada a espaço desportivo e de laser.

As maiores festas da localidade são as da padroeira, Nossa Senhora dos Prazeres, que se realizam todos os anos, com procissão, no terceiro Domingo de Setembro. Normalmente as festas começam no sábado, com procissão de velas e arrais e terminam na quarta feira seguinte com um convívio, organizado pela Casa do Povo local, entre residentes e emigrantes que se encontram de visita à freguesia. Também se celebram, todos os anos, no dia 19 de Março ou no domingo seguinte, as festas em honra de São José, devoção centenária dos picopedrenses, que tive início no ano de 1888.

A partir de 1991, por iniciativa da Junta de Freguesia, comemora-se o dia 16 de Junho, como o dia do Pico da Pedra. Nesse dia numa sessão evocativa da efeméride são homenageadas pessoas ou instituições que se distinguiram ao serviço da localidade. A par disso, realizam-se provas desportivas e outras manifestações culturais, nomeadamente exposições de pintura ou artesanato.

No domingo anterior ao Carnaval, organizado pela Casa do Povo local, com a colaboração das forças vivas da freguesia, realiza-se o Corso Carnavalesco, no qual participam centenas de figurantes e carros alegóricos. O Corso realizou-se pela primeira vez em 1979. Gilberto Bernardo

Fontes. Arquivo da Junta de Freguesia de Pico da Pedra, Notas Sobre a Freguesia de Pico da Pedra-1960-1989, Pico da Pedra, 1992. Arquivo da Junta de Freguesia de Pico da Pedra, Roteiro do Pico da Pedra, Pico da Pedra, 1999.

 

Bibl. Aguiar, C. (1991), Emigração e Outros Temas Ilhéus. Ponta Delgada, Eurosigno Publicações, Lda. Frutuoso, G. (1998), Livro Quarto das Saudades da Terra. Ponta Delgada, Instituto Cultural de Ponta Delgada. Instituto Nacional de Estatística (2002), XIV Recenseamento Geral da População. Lisboa, Instituto Nacional de Estatística. Mendonça, A. F. (1993), Memórias do Pico da Pedra. Pico da Pedra, Junta de Freguesia do Pico da Pedra. A Voz, Boletim da Casa do Povo de Pico da Pedra, 1981-1996. Voz Popular, Boletim do Pico da Pedra, 1975-1989. Voz Popular, Boletim da Casa do Povo de Pico da Pedra, 1996-2005.