Pessoa, Fernando (relação familiar com os Açores)

Tem despertado interesse aos biógrafos de Fernando Pessoa, o grande poeta português, a circunstância da família da sua mãe ser açoriana. A mãe, filha do conselheiro Luís António *Nogueira e de D. Maria Xavier Pinheiro, nasceu mesmo em Angra do Heroísmo (20 de Maio de 1862) e partiu para Lisboa com a família em 1865, tinha ela dois anos. Casou em 1887 em Lisboa com Joaquim Seabra Pessoa, o pai de Fernando. Morto este voltou a casar com o capitão-tenente João Miguel Rosa que se tornou no padrasto do nosso poeta.

Pedro de Merelim esmiuçou a genealogia destas famílias recuando no tempo até onde lhe foi possível e biografando os elementos mais destacados.

O que interessa registar é que Fernando Pessoa conviveu e deixou testemunho de algumas influências de parentes maternos. A avó materna, já viúva desde 1884, também viveu com a filha quando ela enviuvou em Lisboa, retirando-se de novo para Angra, onde se estabelecera depois de viúva, quando ela voltou a casar com o oficial de Marinha e veio a morrer aqui em 1898. Depois a «tia Anica», a que maior influência teria exercido no poeta e que é referenciada nas principais biografias de Pessoa a começar por Gaspar Simões. Esta «tia Anica» era a irmã da mãe, D. Ana Luísa Pinheiro Nogueira (madrinha do poeta), nascida também em Angra (1860) e que casou em Lisboa com o primo João Nogueira de *Freitas, agrónomo, e que se fixaram em Angra em 1893. É também apontada como membro influente em Pessoa uma tia avó desta, e irmã da mãe, D. Maria Xavier *Pinheiro, poetisa, a quem chamavam em família a «tia Maria».

Parece que fora estes, outros tios, tias e primos, pouco impressionaram Fernando Pessoa que os conheceu, é certo, mas não deixou nunca deles memória.

Fernando Pessoa visitou a ilha Terceira, na companhia da mãe, do pai e das irmãs, em 1902. Vinham visitar a família, principalmente a irmã D. Ana Luísa, pois a mãe já morrera. Esta viagem foi primeiro referida por Gaspar Simões e depois estudada ao pormenor por Pedro da Silveira. Ficaram hospedados em casa do cunhado, João Nogueira de Freitas, na rua da Palha, edifício onde hoje se encontra uma placa comemorativa. Demoraram-se nove dias (7 de Maio a 16 de Maio de 1902).

Não consta que Angra ou os Açores tenham tido qualquer influência em Fernando Pessoa, mas ficou uma poesia escrita em Angra pelo adolescente Pessoa intitulada «Quando ela passa» que foi publicada por Gaspar Simões. J. G. Reis Leite

Bibl. Merelim, P. (1974), Fernando Pessoa e a Terceira. Figuras do ramo materno do poeta. Angra do Heroísmo, Instituto Açoriano de Cultura. Pessoa, F. (s.d.), Cartas a Armando Cortes Rodrigues. 2.ª ed., Lisboa, Inquérito. Silveira, P. (1975), A viagem de Fernando Pessoa à Terceira em Maio de 1902. Angra do Heroísmo, s.n.. Simões, J. G. (1987), Vida e obra de Fernando Pessoa. 3.ª ed., Lisboa, D. Quixote.