Peixoto, João Albino

[N. Ribeira Grande, 5.8.1803 – m. ibidem,12.7.1891] Poeta e pintor/dourador. Na oficina do tio, José Caetano da Mota, aprendeu o ofício de ourives, aos doze anos de idade. Em 1819, deixou o mester para se dedicar ao estudo de latim, retórica e filosofia. Dez anos depois, iniciou o estudo de desenho e pintura com Vicente Malio, natural de Roma, que fixou residência durante algum tempo na Ribeira Grande. Após a saída do mestre, foi-lhe passada uma declaração, publicada na imprensa, referindo as suas aptidões. Posteriormente, aprendeu a técnica de dourar e restaurar painéis antigos com dois técnicos parisienses, estabelecidos em Ponta Delgada. A partir de 1846, comprou-lhes a oficina e todos os utensílios. Deixou obra espalhada por várias igrejas da ilha: capelas da igreja de Rabo de Peixe; a capela do Santíssimo da igreja do Rosário da Lagoa; a do Santíssimo da igreja da Conceição, da Ribeira Grande; a do Senhor dos Passos do Colégio, de Ponta Delgada; a de Nossa Senhora da Ajuda, na Bretanha, a de Nossa Senhora dos Prazeres, no Pico da Pedra e a de Nossa Senhora das Dores, em Porto Formoso. Já idoso, em 1865, trabalhou no posto fiscal do porto de Santa Iria da Ribeira Grande.

A sua poesia, para além dos opúsculos publicados, está dispersa por alguns jornais, nomeadamente, o Açoreano, Revista dos Açores, Açoriano Oriental, Estrella Oriental e O Norte. Está incluído no grupo dos poetas em que «desabrocharam as últimas flores do neoclassicismo» (Lisboa, 1990: 44). Carlos Enes

Obras principais. (1847), Memoria sobre a trasladação da Imagem do senhor dos passos do Hospital para o Collegio. Ponta Delgada, Typ. da Rua do Garcia. (1847), Lamentações da Lira sobre os Túmulos, na Imatura Morte do Ill.mo Senhor Agostinho de Medeiros Albuquerque. Ponta Delgada, Tip. da Rua do Garcia. (1852), A saudade – Monumento às cinzas do Snr. Caetano José de Mello Cabral. Ponta Delgada, Typ. da Sociedade Auxiliadora das Letras Açoreanas. (1853), Canto Fúnebre em Memória da saudosa rainha de Portugal, a senhora D. Maria II. Ponta Delgada, Typ. M. J. Morais. (1853), O Zelo – Poesia. Ribeira Grande, Typ. da Estrella Oriental. (1857), Passagem d´um Poema em dez cantos. Ribeira Grande, Typ. da Estrella Oriental. (1869), Monumento Fúnebre à Il.ma Senhora D. Ana Cristina Machado. Ribeira Grande, Tip. do Botelho & Vargas. (1869), O lenitivo ou Tumulo erigido pelas musas ás lamentadas cinzas da Ill.ma e Ex.ma Snra. D. Anna Christina Machado. Ribeira Grande, Tip. do Botelho & Vargas.

 

Bibl. Lisboa, E. (coord.) (1990), Dicionário Cronológico de Autores Portugueses. Mem Martins, Publicações Europa-América, II: 44-45. Supico, F. (1995), As Escavações. Ponta Delgada, Instituto Cultural de Ponta Delgada, 3 vols.: 118, 172, 274, 418, 592, 627, 675, 1129, 1132, 1242 e 1244.