Peixoto, António da Silveira

[N. Santa Catarina de Castelo Branco, Horta, 15.2.1737 – m. Paranaguá, Brasil, 1800] Bandeirante, sertanista notável, conquistador do Tibají. Filho legítimo do capitão Manuel de Ávila Peixoto e de sua mulher Margarida Josefa.

Não é conhecida a data da sua migração para o Brasil, mas, em 1767, quando começou a servir no exército, encontrava-se estabelecido na vila de Paranaguá e era alferes de auxiliares, «com loja de fazendas, das melhores da terra». Em Setembro de 1769, tomou o comando da expedição aos sertões do rio Tibají ou Iguaçú (cf. Serpa, 1916: 16, 19). À ordem do governador de S. Paulo, capitão-general D. Luiz António de Souza, saiu pelo Porto da Conceição de Caicanga do Rio de Registo e entrou pelo rio Tibají, com 80 homens em duas esquadras. Fundou o porto de Nossa Senhora da Vitória, depois chamado União, naquele rio, dez quilómetros abaixo da barra do rio Negro.

Aí fixou quase toda a gente que levava e com um alferes, doze soldados e dois escravos penetrou por terra a fim de abrir novos caminhos (Carvalho, 1989).

Assim andou durante treze meses quando, em Outubro de 1770, foi preso pelos espanhóis porque tinha chegado ao território das Missões, então domínio da Espanha, actual Paraguai. Explorara todo o rio Paraná. Levado perante o governador em Assunção, este remeteu-o ao delegado régio em Buenos Aires que o fez prisioneiro (Laytano, 1959).

Feita a paz entre Portugal e Espanha e incorporados na coroa os terrenos que havia atravessado, foi libertado. Nesta ocasião, com fortuna e crédito seus, conduziu por terra, numa travessia de 180 léguas, 134 portugueses das guarnições da colónia do Sacramento e Santa Catarina que se encontravam, como ele, prisioneiros.

Vindo a Lisboa requerer a paga dos seus serviços, obteve uma audiência da Rainha D. Maria I que lhe concedeu carta de brasão de armas, passada a 3 de Agosto de 1781, e o mandou continuar no posto de capitão. Só no fim da vida, foi reformado na categoria de sargento-mor, mediante proposta do capitão-general de S. Paulo, António Manuel de Melo Castro e Mendonça feita em 1801 e despachada em 1807. Não obstante ter obtido «consulta favorável» do Conselho Ultramarino, em 20 de Outubro de 1781, nunca lhe foi passada carta do hábito de Cristo com que fora agraciado (cf. Serpa, 1916; Lima, 1943: 358-360). Luís M. Arruda

Bibl. Carvalho, F. A. (1989), Peixoto, António da Silveira. In Dicionário dos Bandeirantes e Sertanistas do Brasil. Belo Horizonte-São Paulo, Ed. Itatiaia, EDUSP. Laytano, D. (1959), Bandeirante nascido no Faial. Telégrafo (O), Horta, n.º 17.812, 10 de Abril. Lima, M. (1943), Anais do Município da Horta. Vila Nova de Famalicão, Oficinas Gráficas Minerva. Serpa, A. F. (1916), O bandeirante António da Silveira Peixôto, conquistador de Tibají. Coimbra, s.e..