peixes (dulciaquícolas)
As principais lagoas existentes na ilha de S. Miguel, Açores, denominadas das Sete Cidades, Fogo e Furnas, com as áreas respectivas de 482 ha, 150 ha e 176 ha, bem como algumas outras de muito menor dimensão, encontravam-se povoadas de peixes vermelhos e de cor castanha, Carassius auratus e Carassius carassius (Cyprinidae), cuja introdução não está perfeitamente determinada.
Sobre ela apresentam-se duas hipóteses. A primeira refere-se à possibilidade dos seus ovos terem sido transportados por aves palmípedes, que aparecem na ilha com alguma frequência no período do inverno, arrastadas pelos fortes temporais, já que as suas rotas normais não passam pelos Açores (Vicente, 1956).
A segunda hipótese aponta como provável a sua introdução pelos Jesuítas, que desenvolveram a sua actividade aqui entre 1591 e 1759 (Ohshima, 1956).
No período entre 1879 e 1913, José Maria Raposo de Amaral e seu filho com o mesmo nome, desenvolveram um importante trabalho de introdução de peixes dulciaquícolas nas lagoas de S. Miguel, que fossem essencialmente bons para comer.
Para além de outras espécies, tais como a ruivaca, Rutilus macrolepidotus (Cyprinidae), diversas variedades de trutas, Salmo trutta e Salmo trutta lacustris (Salmonidae), carpa comum e carpa espelho, Cyprinus carpio (Cyprinidae) e perca, Perca fluviatilis (Percidae), foi ainda introduzido o *achigã.
Todas as espécies citadas foram lançadas inicialmente nas Lagoas das Sete Cidades e, só mais tarde, algumas delas foram transportadas para outras lagoas, como sejam carpas para as de S. Tiago, Canário, Congro, Fogo e Furnas e, percas para esta última.
Ao que se julga, por falta de outras espécies depradadoras nas Lagoas das Sete Cidades e Furnas, a perca apresentava-se com fortes sintomas de nanismo, pelo que, segundo Lima (1992), foram introduzidos o lúcio, Esox lucias (Esocidae), e o lucioperca, Stizostedium lucioperca (Percidae), tendo esta última espécie se adaptado perfeitamente na Lagoa das Furnas enquanto que na das Sete Cidades não foram obtidos resultados positivos. Estas introduções foram feitas tendo em vista uma valorização da pesca desportiva nas águas daquelas lagoas, por iniciativa da Direcção de Serviços Florestais de Ponta Delgada, com a colaboração do Departamento de Ictiologia da Universidade Católica de Lyon, em França, depois de efectuados estudos nas mesmas, respectivamente em 1979 e 1981,
No que se refere ao lúcio José Maria Raposo de Amaral tinha já tentado a sua introdução na Lagoa das Sete Cidades, não o tendo conseguido devido aos peixes terem chegado mortos a S. Miguel. Armindo Moreira da Silva
Bibl. Lima, H. M. Q. F. (1992), Contribuição para o Estudo Ictiológico das Lagoas das Furnas e Sete Cidades. Angra do Heroísmo, Universidade dos Açores. Ohshima, H. (1956), Uma viagem pelo Arquipélago dos Açores. Açoreana, 5, 3: 245-296. Silva, A. M. (1992), Introdução de peixes dulciaquícolas na ilha de S. Miguel. Ponta Delgada. Direcção Regional dos Recursos Florestais. (EED;18). Id. (1977), A pesca desportiva nas águas interiores da ilha de S. Miguel. Ponta Delgada. Circunscrição Florestal de Ponta Delgada. (EED;7). Vicente, A. S. (1956), Introdução de peixes de água doce nas lagoas de S. Miguel. Angra do Heroísmo, Tip. Andrade.
