Paulo, João Jorge da Silveira e
[N. Santo Amaro, ilha do Pico, 1857 m. Lisboa, 11.3.1933] Em 1882 foi chamado pelo seu irmão Domingos Machado da Silveira e Paulo que se estabelecera em S. Tomé e fundara uma roça de cacau chamada «Colónia Açoriana» com cujo negócio enriquecera e com quem estabelecera uma sociedade na dita roça, alcançando por sua vez, uma significativa fortuna.
Regressou aos Açores nos finais do século XIX estabelecendo-se em Angra onde era conhecido como comendador Silveira e Paulo por ter sido agraciado em 1894 com a comenda da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa. Em 1895, foi feito por D. Carlos fidalgo cavaleiro da Casa Real. Filiado no Partido Progressista foi presidente da Junta Geral do Distrito de Angra do Heroísmo por duas vezes, a primeira entre 1905 e 1907 e a segunda de 1908 a 1910, e anteriormente procurador eleito pelo município das Velas e membro da Comissão Distrital (1899-1901).
Casou nas Velas, em 1893, com D. Vitória Beatriz da Silveira Noronha e comprou em Angra o solar da família Noronha no alto da rua da Galo, a que a mulher pertencia, que demoliu construindo no seu lugar, em 1900, um palacete ao gosto francês o qual não chegou a concluir e onde nunca morou. Esse prédio, que é dos mais significativos de Angra, acabou por ser comprado pelo Estado (1937) para a instalação da Escola Comercial e Industrial. Profundamente danificado pelo sismo de 1980 foi recuperado e nele instalada em 2004 a Direcção Regional da Cultura e o Centro de Conhecimento dos Açores.
O comendador Silveira e Paulo fixou-se em Lisboa e viu-se envolvido num escandaloso processo contra ele movido pela sobrinha, Dona Olívia de Silveira e seu segundo marido, onde foi acusado de irregularidades na herança e partilhas da roça de S. Tomé. José Guilherme Reis Leite
Fontes. Processo crime contra o comendador João Jorge da Silveira e Paulo (s.d. [1913]). Lisboa, Tip. Bayard. Rego, M. C. (1913), Em legítima defesa. Acusando os acusadores. Lisboa, Ed. do autor.
Bibl. Forjaz, J. e Mendes, A. (2007), Genealogias da Ilha Terceira. Lisboa, Dislivro, IX: 120-121. Leite, J. G. R. (1995), Política e administração nos Açores de 1890 a 1910. O primeiro movimento autonomista. Ponta Delgada, Jornal de Cultura: 334-350.
