patudo

Nome vulgar da espécie de peixe Thunnus obesus (Scombridae) também conhecido por *albacora (cf. Sella, 1929; Ferreira, 1932, 1937, 1940; Bettencourt, 1972, como Parathunnus obesus; Collins, 1954, como Thunnus [Parathunnus] obesus).

 

História natural Segundo Collette (1986), indivíduos desta espécie têm corpo robusto, fusiforme, ligeiramente comprimido lateralmente; barbatanas peitorais moderadamente longas (22 a 31% do comprimento à furca) em indivíduos com mais de 110 cm de comprimento à furca, mas muito longas (como no voador, Thunnus alalunga) nos indivíduos mais pequenos.

Primeira barbatana dorsal de amarelo escuro, segunda barbatana dorsal e anal de amarelo claro; pínulas de amarelo brilhante marginadas de negro.

Atinge 239 cm de comprimento à furca e 197 kg é peso comum para 180 cm de comprimento à furca.

Epipelágico e mesopelágico, vive em águas temperadas, geralmente abaixo da termoclina e até 250 m de profundidade. Alimenta-se de uma larga variedade de peixes, lulas e crustáceos.

Cosmopolita em águas temperadas, migrador em cardumes, é capturado, regularmente, nos Açores, Madeira e Canárias. Luís M. Arruda

 

Migrações De todos os atuns tropicais, é aquele que realiza migrações mais extensas, embora o conhecimento actual das suas rotas migratórias se baseie em hipóteses que necessitam de ser confirmadas (Bard et al., 1993). O seu habitat varia com as diferentes fases do seu crescimento, desde a zona equatorial no caso dos juvenis (30-70 cm de comprimento) até às latitudes subtropicais enquanto pré-adultos (70-100 cm) e adultos (> 100 cm). A reprodução do patudo no Atlântico ocorre na zona equatorial, numa extensa área localizada em ambos os lados do equador (15° N - 15° S) e desde a zona do Golfo da Guiné até à costa americana (Cayré et al., 1993). O modelo de migração do patudo pode resumir-se do seguinte modo: os juvenis nascidos no Golfo da Guiné poderão migrar para as zonas tropicais norte e sul, sendo muito provavelmente esta migração de origem trófica. Aqueles que seguem a rota para norte, no verão boreal, podem chegar até à Baía da Biscaia, passando na área dos Açores. Os que seguem a rota para sul podem chegar à latitude de Angola. Os indivíduos adultos, para se reproduzirem, poderão realizar migrações de maior amplitude, entre as latitudes subtropicais norte e sul e a zona equatorial de reprodução. No entanto, desconhece-se quer a frequência quer a fracção da população do Atlântico que realiza estas migrações genéticas (Bard et al., 1993). Manuela Azevedo

Bibl. Bard, F. X., Cayré, P. e Diouf, T. (1993), Migrations In Fonteneau, A. e Marcille, J. (eds.) Resources, fishing and biology of the tropical tunas of the eastern central Atlantic. FAO Fisheries Technical Paper, 292: 105-145. Bettencourt, M. L. (1972), pesca do atum e alguns aspectos da interacção oceano atmosfera na região dos Açores. Lisboa, Serviço Meteorológico Nacional. Cayré, P., Amon Kothias, J. B., Diouf, T. e Stretta, J. M. (1993), Biology of tuna In Fonteneau, A. e Marcille, J. (eds.), Resources, fishing and biology of the tropical tunas of the eastern central Atlantic. FAO Fisheries Technical Paper, 292: 147-242. Collins, B. L. (1954), Lista de peixes dos mares dos Açores. Açoreana, 5, 2: 103-142. Collette, B. B. (1986), Scombridae, In Whitehead, P. J. P., Bauchot, M.-L., Hureau, J.-C., Nielsen, J. e Tortonese, E. (eds.), Fishes of the North-eastern Atlantic and the Mediterranean. Paris, UNESCO: 981-997. Ferreira, E. (1932), La pesca dell’albacora nelle Azorre. Note dell’Instituto di Biologia di Rovigno, 1: 1-10. Id. (1937), Escombridas dos Açores. Açoreana, 1, 4: 211-221. Id. (1940), A pesca da «albacora» em 1938 e 1939 e «pediculados» nos Açores. Açoreana, 2, 3: 129-134. Sella, M. (1929), Migrazioni e habitat del tonno (Thunnus thynnus L.) studiati col metodo degli ami, con osservazioni su 1’accresciment, sul regime delle tonnarre ecc. Memoria R. Comitato Talassografico italiano, 156: 1-24.