Pátria (A)
1 Jornal semanário que começou a ser publicado, na Horta, em 13 de Fevereiro de 1875, redigido por Florêncio José Terra Jr. e Telles de Barcelos (cf. Imprensa Periódica nos Açores, 1982: 538). Era director e editor João de Bettencourt e era impresso na tipografia deste.
Formato 46,5 cm x 32,2 cm, 4 páginas, 3 colunas, inclui editorial com o título genérico «Fayal», folhetim com o título Cartas sobre a Companhia de Jesus, notícias locais, nacionais e do estrangeiro e publicidade. Combater o jesuitismo foi a justificação para o aparecimento deste jornal, pode ser lido numa carta de Florêncio José Terra Jr., com data de 14 de Dezembro de 1875, dirigida de Lisboa aos redactores deste jornal: «Foi sempre convicção nossa a existencia do jesuitismo no Fayal, nunca duvidámos que a roupeta procurava escurecer o brilho da nossa liberdade e vender os olhos ao povo para deter a luz da instrucção. Daqui resultou o apparecimento da Pátria [...]». Luís M. Arruda
2 Jornal publicado em Vila Franca do Campo. Apresenta-se como folha semanal, órgão do Centro Escolar Republicano (que ainda estava em constituição). Iniciou a publicação a 27 de Outubro de 1910 e terminou com o número 35, a 29 de Junho de 1911. Foi seu director Virgílio dOliveira Silva e administrador, Viço Pires Coelho. Luiz Vaz Pacheco de Castro e Mariano dArruda, administrador do concelho, foram colaboradores assíduos, e a causa próxima do encerramento está ligada à saída do último. Em termos políticos, o jornal seguiu o programa do Partido Republicano, explicando-o com alguma minúcia, bem como as características do novo regime. Nas suas páginas contém preciosa informação sobre as novas comissões administrativas, a nível de concelho e freguesias, e referências a elementos ligados ao partido. Para além de notícias locais e internacionais, revelou a sua tendência anticlerical com a publicação de um folhetim sobre os jesuítas. Carlos Enes 3 Jornal publicado em Ponta Delgada, como órgão do Partido Republicano Português. Entre 6 de Junho de 1918 e 23 de Maio de 1925, publicaram-se 4 séries com várias interrupções ligadas ao calendário eleitoral, vários formatos, embora a periodicidade se mantivesse semanal. Cada série inicia sempre a publicação pelo n.º 1. Como directores, aparecem elementos ligados localmente ao partido, como José da Mota Vieira, António Franco, Oliveira San-Bento e Rebelo de Bettencourt. A linha programática é a do partido nas suas diferentes conjunturas, com textos formativos transcritos de jornais do continente, críticas à gestão local, quando não lhe é afecta, e campanha eleitoral procurando cativar votos para os seus candidatos. Os regionalistas micaelenses são frequentemente criticados. Em vários períodos o jornal foi alvo da censura, pois apresenta muitos espaços em branco. É uma fonte importante para o conhecimento interno do PRP micaelense. Para além da vida política local, apresenta informações de várias ilhas e uma coluna denominada «Volta ao Mundo». Diniz José da Silva exerceu funções de chefe de redacção. Carlos Enes 4 Começou como bi-semanário e diário, publicado em Angra do Heroísmo, tendo como fundador, proprietário e director José Cruz. Iniciou a publicação a 6 de Julho de 1929, como jornal republicano independente, mas nitidamente de oposição ao regime. Essa tendência clarificou-se quando estalou a *Revolta dos Deportados, em 1931. Pelo facto, acabou por estar suspenso um ano. O jornal apresentou vários formatos, variando também o número de páginas, mas caracterizou-se por ser um jornal de leitura agradável pela quantidade de pequenas informações regionais. Com frequência apresentou-se a defender a indústria e o comércio local, e talvez por esse facto superava todos os outros na quantidade de anúncios. Mas à medida que o regime se foi consolidando, deixou de haver espaço para jornais como A Pátria. O cerco foi apertando e o proprietário foi obrigado a vendê-lo à Sociedade Terceirense de Publicidade, L.da, que serviu de suporte à União Nacional de Angra. A partir de 1937, passou então a diário da manhã, dirigido inicialmente pelo presidente da comissão distrital da União Nacional de Angra e depois por Cândido Pamplona *Forjaz. Nas suas colunas passaram a escrever Dutra Faria, Ramiro Valadão, Martim Faria e Maia, Rafael Ávila de Azevedo e Raimundo Belo, entre outros. Os artigos de carácter doutrinário, as críticas constantes à Rússia, e a defesa do regime caracterizaram o jornal que se extinguiu a 18 de Agosto de 1945, com o número 1995, dirigido por G. Gomes Filipe. Após a guerra, a mesma linha editorial, mas sem ser em nome da União Nacional, passou para o *Diário Insular. Carlos Enes
Fontes. 1 Números 15 (1 de Agosto de 1875), 16 (8 de Agosto de 1875), 27 (28 de Novembro de 1875) e 33 (23 de Janeiro de 1876) existentes na Biblioteca Pública e Arquivo Regional da Horta.
Bibl. 1 Imprensa Periódica nos Açores (1982). In Arquivo dos Açores. Ponta Delgada, Universidade dos Açores, 8: 485-556 [Reprodução fac-similada pela edição de 1887].
