Parkin, Thomas

Cônsul inglês no Faial. Nada se sabe sobre o perfil de Thomas Parkin anteriormente à sua chegada ao Faial por volta do ano de 1794. O seu envolvimento na actividade de exportação e importação, nomeadamente no comércio do vinho produzido na ilha do Pico, denunciam a provável condição de mercador. Provável, por isso, que o exercício mercantil o tenha trazido ao conhecimento do Faial e que aqui se tenha fixado. Será por esta época que a casa Scott Idle Sobradello se estabelece na Horta dando execução a contratos de fornecimento de vinho as forças militares britânicas estacionadas nas Antilhas, não sendo estranho que em torno do mesmo negócio surgissem interesses com idêntica origem. Como era usual na época, Thomas Parkin diligenciará a obtenção de cargo consular, estatuto propício a uma maior eficácia no trato comercial, sobretudo quando entrava em jogo a navegação cruzando o Atlântico. Terá obtido um primeiro mandato com nomeação de George Wanson, cônsul-geral em 1797. Porém, a alteração da situação consular em Lisboa para o cônsul-geral Gambier, cria uma situação equívoca. De facto Gambier nomeia Albert Curry, residente na Madeira, o qual falece na viagem para os Açores. Circunstâncias não esclarecidas dão lugar à nomeação do irmão, Daniel Thomas Curry, o que é contestado. A Câmara da Horta em 1801, por desconfianças surgidas no processo nomeia Thomas Parkin para representar os interesses britânicos, sendo admissível que durante algum tempo a Horta tivesse duas personalidades a reclamar a posição consular. A posição de Thomas Parkin prevalecerá e manterá o cargo até à sua morte em 1824.

A documentação relativa ao tempo em que Thomas Parkin viveu na Horta, uma época muito agitada no quadro internacional, em que o porto faialense assume relevância extraordinária, revela diversos episódios insólitos ocorridos na vila da Horta e no seu porto. Presunção de envolvimento no apetecido contrabando da urzela; cumplicidade na fuga ou rapto de religiosas dos conventos faialenses; conluio com as autoridades locais na baldeação fraudulenta de mercadorias de navios americanos com destino à Inglaterra no período do embargo; conflitos com a autarquia no decorrer de crises de pão; intervenção conflituosa contra os interesses locais no litígio decorrente do combate naval entre forças de uma flotilha inglesa contra o brigue americano General Armstrong – pode dizer-se que não haverá episódio a suscitar conflito ou escândalo na sociedade da ilha do Faial, em que Thomas Parkin não seja suspeito.

A acreditar na documentação e no depoimento do juiz de fora, teria família numerosa e viveria de poucos réditos. Sendo este testemunho de 1806, é bem plausível que as lutas napoleónicas e a deslocação dos interesses britânicos para o Atlântico, tenham dado a Parkin oportunidade de melhorar apreciavelmente a sua situação, tal como aconteceu com o seu amigo John Bass Dabney chegado ao Faial em 1806 o qual, passados 6 anos, já era proprietário da mais imponente mansão da vila faialense, beneficiando de uma conjuntura económica que Thomas Parkin não terá deixado, igualmente, de aproveitar. Ricardo M. Madruga da Costa

Bibl. Dabney, R. (2004), Anais da Família Dabney no Faial. Angra do Heroísmo, Instituto Açoriano de Cultura; Núcleo Cultural da Horta,1. Costa, R. M. M. (2004), O itinerário fayalense de Thomas Parkin – cônsul ao serviço de sua majestade britânica nas Western Islands. Boletim do Núcleo Cultural da Horta Horta, 13: 89-98.