Paisagem Protegida do Monte da Guia

Situada a sudeste da cidade da Horta, ilha do Faial, e integrando o conjunto Monte Queimado – Monte da Guia e uma faixa do litoral que vai desde o forte de S. Sebastião até ao porto da Horta. Anexa a esta zona está considerada uma outra de proximidade que se estende desde a foz da ribeira da Granja até à Praça do Infante. Foi criada em 1980, pelo Decreto Regional n.º 1/80/A de 31 de Janeiro, e regulamentada pelo Decreto Regulamentar Regional n.º 13/84/A de 31 de Março. Tem por objectivo preservar os seus valores para a conservação da natureza, para a ciência e ensino e para o turismo e recreio.

O Monte Queimado, com 86 m de altura, é um cone subaéreo de piroclastos, tipo estromboliano. Ligado a este por um istmo, o Monte da Guia, com 145 m de altura, é um cone originado por erupção submarina do tipo surtsiana, que inclui uma dupla cratera aberta para o mar, a sul, a denominada Caldeira do Inferno, mais geralmente conhecida como Caldeirinhas, com cerca de 500 m de comprimento e 250 m de largura máxima.

O Monte da Guia integra a Rede Natura 2000 e está classificado pela Directiva Habitats como um sítio de interesse comunitário. Dos habitats cobertos por esta directiva ocorrem aqueles relacionados com a vegetação perene dominada por espécies endémicas, algumas muito raras, cobrindo as arribas rochosas como acontece frequentemente nas costas açorianas; as dunas fixas com vegetação herbácea (dunas cinzentas), estabilizadas e colonizadas por espécies como Ipomoea imperati, Cakile edentula ssp. edentula e Salsola kali ssp. tragus; o urzal endémico da Macaronésia, denso e húmido, de pequena altura, com grande diversidade florística; os abrigos e baías de baixa profundidade no Monte da Guia e Porto-Pim; e as cavernas submersas ou apenas parcialmente submersas nas Caldeirinhas.

Das espécies listadas na Directiva Habitats, a urze (Erica azorica), a Scabiosa nitens, a Myosotis maritima e a Azorina vidalli (espécies prioritárias) estão entre algumas da sua flora. O golfinho (Tursiops truncatus) e a tartaruga (Caretta caretta), esta também uma espécie prioritária, estão entre algumas da fauna.

A área marinha adjacente ao Monte da Guia proporciona zonas de maternidade para muitas espécies de peixes, como a Baía de Porto-Pim e as Caldeirinhas, e inclui uma grande variedade de fundos marinhos e de condições oceanográficas que a tornam representativa de uma série de habitats e de comunidades marinhas dos Açores.

As comunidades de peixes incluem espécies como o *mero (Epinephelus marginatus) e o peixe-cão (Pseudolepidaplois scrofa) e muitas outras espécies que ocorrem no oceano, mesmo em águas pouco profundas.

Esta é a primeira área de protecção da vida marinha estabelecida nos Açores.

Do cimo do Monte da Guia podem ser observadas as ilhas do Pico e de S. Jorge e é notável a beleza e o vasto panorama que se pode desfrutar sobre a cidade da Horta, a Baía de Porto-Pim e a costa sul da ilha do Faial. Luís M. Arruda

Bibl. Carqueijeiro E. (Coord.) (2005), Áreas ambientais dos Açores. [Horta], Secretaria Regional do Ambiente e do Mar / Direcção Regional do Ambiente. Silva, L., Pinto, N., Press, B., Rumsey, F., Carine, M., Henderson, S. e Sjögren, E. (2005), Lista das plantas vasculares (Pteridophyta e Spermatophyta). In Borges, P. A. V., Cunha, R., Gabriel, R., Martins, A. F., Silva, L. e Vieira, V. (eds.) A list of terrestrial fauna (Mollusca and Arthropoda) and flora (Bryophyta and Spermatophyta) from the Azores. Horta, Angra do Heroísmo e Ponta Delgada, Direcção Regional do Ambiente e Universidade dos Açores: 131-155.