Paisagem Protegida das Sete Cidades

Situada na parte ocidental da ilha de S. Miguel, foi classificada pelo Decreto Regional n.º 2/80/A, de 7 de Fevereiro, alterado pelo Decreto Legislativo Regional n.º 16/95/A, de 17 de Novembro, e regulamentado através do Decreto Regulamentar Regional n.º 13/89/A, de 12 de Abril. Integra a Caldeira das Sete Cidades, onde se situam as lagoas Azul, Verde, de Santiago e Rasa, a Caldeira do Alferes, a Caldeira Seca, outras pequenas lagoas situadas junto à estrada nacional e à mata do Canário e ainda a área urbana da freguesia das Sete Cidades, incluindo terrenos agrícolas e florestas de produção de criptoméria.

A Caldeira das Sete Cidades, zona montanhosa de relevo bastante acentuado, com algumas vertentes alcantiladas interiores, profundos barrancos e sulcos em cujos leitos correm águas torrenciais, tem cerca de 12 km de perímetro, aproximadamente 5 km de diâmetro, 400 m de profundidade máxima e 873 m de altitude máxima no denominado Pico das Éguas. Formada por colapsos sucessivos de um edifício vulcânico é uma das maiores caldeiras de abatimento dos Açores. Posteriormente, erupções vulcânicas dentro da caldeira deram origem a outros aparelhos e nas suas crateras de explosão vieram a formar-se as lagoas actualmente existentes.

Nos bordos das encostas da caldeira, que apresentam quase sempre vertentes muito inclinadas, é possível encontrar vestígios da vegetação primitiva dos Açores.

Na área desta Paisagem Protegida ocorrem diversas espécies endémicas. De entre as zoológicas registam-se o pombo-torcaz-dos-Açores (Columba palumbus azorica), o melro-preto (Turdus merula azorensis) e a estrelinha (Regulus regulus azoricus). Das botânicas ocorrem o cedro-do-mato (Juniperus brevifolia), a angélica (Angelica lignescens), o azevinho (Ilex perado ssp. azorica), o queiró (Daboecia azorica), a urze (Erica azorica), a uva-da-serra (Viccinium cylindraceum), o folhado (Viburnum tinus ssp. subcordatum), as margaridas (Bellis azorica) e os musgos Breutelia azorica, Campylopus azoricus e Grimmia tricophylla ssp. azorica. Esta é também uma zona de passagem para aves migratórias, muitas das quais consideradas em perigo, do ponto de vista da sua conservação.

Da freguesia das Sete Cidades, situada numa zona plana da margem ocidental da Lagoa Azul, o casario, com telhados de duas águas e chaminés volumosas, reflecte a peculiaridade desta vila. A igreja de S. Mateus, estilo neogótico, inaugurada em 1852, a casa dos herdeiros de Caetano Andrade e o túnel de descarga da lagoa, com uma extensão de 1.200 m, projecto de Francisco Xavier Vaz Pacheco de Castro, inaugurado em 1937, são infra-estruturas a destacar pela sua arquitectura.

O topónimo Sete Cidades deriva de uma lenda medieval. Segundo ela, devido à invasão muçulmana no continente, no ano 711, sete bispos ter-se-iam refugiado numa ilha atlântica onde fundaram sete cidades cujos vestígios se encontram submersos pelas águas das denominadas Lagoa Azul e da Lagoa Verde.

O miradouro da Vista do Rei, assim chamado por lá se terem fascinado o rei D. Carlos e a rainha D. Amélia, em 1901, oferece uma excelente panorâmica de toda a caldeira. Luís M. Arruda

Bibl. Carqueijeiro E. (Coord.) (2005), Áreas ambientais dos Açores. [Horta], Secretaria Regional do Ambiente e do Mar / Direcção Regional do Ambiente.