Pacheco, Manuel de Sousa
[Século XVII] Foi o primeiro governador português do Castelo de S. João Baptista de Angra, depois da rendição dos castelhanos em 1642.
Era fidalgo da Casa Real, do Conselho de Sua Majestade e mestre-de-campo da gente de guerra, mas desconhece-se a evolução da sua carreira militar. Acompanhou o general Saldanha na sua viagem de socorro aos Açores que ao chegar a Angra encontrou já rendido o castelo. Vinha nomeado por carta de 11 de Março de 1642 governador e capitão-mor das ilhas Terceiras e da fortaleza de S. Filipe do Monte Brasil da cidade de Angra. Tomou posse, a 16 de Agosto de 1642. Quando se retirou o general Saldanha da fortaleza, que ficava com uma guarnição de 300 soldados de infantaria divididos em 3 companhias debaixo de uma só bandeira, recebeu um regimento conhecido pelo regimento velho ou do general Saldanha.
Sousa Pacheco entendeu que a sua patente se alargava a capitão-mor das ilhas e por isso agregou a si todos os poderes e prerrogativas dos donatários, numa interpretação que exercia os seus poderes enquanto ausentes, como faziam os governadores militares de S. Miguel. Com esta atitude criou as maiores inimizades com a gente da governança de Angra que se queixaram amargamente ao rei por lhes mandar um governador com poderes mais latos do que aqueles que haviam tido os governadores castelhanos. Foram atendidos tendo o rei reduzido o cargo de Manuel Sousa Pacheco só a governador do Castelo. Sentiu-se ele tão ofendido que tomou a resolução de abandonar Angra e o cargo antes da chegada do seu sucessor, no que foi impedido pelas autoridades angrenses que o ameaçaram de recorrerem à força se fosse necessário.
Acabou por ser substituído a 2 de Maio de 1645, quando terminou o triénio, por Miguel Pereira *Borralho, mas a sua estada nos Açores foi atribulada e manteve graves dissidências com a Câmara de Angra. J. G. Reis Leite
Bibl. Leite, J. G. R. (1983), A luta pelo governo autónomo nos Açores. Uma sentença do Desembargo do Paço a favor da nobreza de Angra, no século XVII. Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, Angra do Heroísmo, XLI: 108-140. Maldonado, M. L. (1990), Fénix Angrense. Angra do Heroísmo, Instituto Histórico da Ilha Terceira, II: 248-250, 277-278.
