ouriço-cacheiro (Erinaceus europaeus)

Os indivíduos adultos possuem cerca de 27 cm de comprimento do corpo (incluindo a cauda, com 2 cm) (ICN, 1999). Os pêlos das partes dorsais estão transformados em espinhos, nesta e noutras espécies de ouriços, os quais são utilizados como defesa de potenciais predadores. Cada espinho exibe uma mistura de cores: bege, castanho e ocre. A totalidade dos espinhos confere assim tons acastanhados heterogéneos que contribuem para a sua camuflagem. Este animal ocorre nas ilhas de S. Miguel, Santa Maria, Terceira e Faial.

Alguns casais foram levados de S. Miguel para Santa Maria, na década de 30 do século XX (Monteiro, com. pess.), com o objectivo de diminuir os efectivos populacionais de ratos nesta última ilha. No entanto, só cerca de 30 anos mais tarde é que é referida, pela primeira vez, a ocorrência deste pequeno animal nos Açores (Ulfstrand, 1961).

Pode ser observado, ao fim do dia e à noite, nas imediações de espaços urbanizados, bem como fora das localidades, em zonas cultivadas, em zonas florestais e em pastagens de baixa altitude. Nos Açores, esta espécie tem a particularidade de não hibernar e de se reproduzir durante todo o ano (Melo, 2000), ao contrário da maioria das populações europeias (Reeve, 1997).

A população humana, em geral, desconhece a dieta deste animal e considera-o uma ameaça para as explorações agrícolas. No entanto, nos Açores, mais de 90% da sua alimentação é constituída por invertebrados (artrópodes, anelídeos e gastrópodes) e, ainda, por aves pequenas e rãs (Melo, 2000). Algumas espécies de artrópodes e gastrópodes constituem pragas agrícolas e/ou são veículos transmissores de doenças.

O ouriço-cacheiro é portador de Leptospirose (Collares-Pereira et al., 1997), pelo que se deve evitar manusear sem protecção os indivíduos que são observados a atravessar as estradas com frequência.

O ouriço-cacheiro consta da Convenção de Berna, como espécie protegida (anexo III), pelo que é necessário mitigar as principais causas de morte registadas nos Açores: atropelamento em estradas, afogamento em tanques utilizados na lavoura e ferimentos causados por cães. [ver mamíferos terrestres] Fátima Melo Medeiros

Bibl. Collares-Pereira, M., Mathias, M. L., Soares, S., Bacellar, F., Alves, M. J., Santos-Reis, M., Ramalhinho, M. G., Oom, M. M., Flor, L., Matos, J. E., Carvalho, G. F., Petrucci-Fonseca, F. e Filipe, A. (1997), Agentes Zoonóticos Associados aos Pequenos Mamíferos Silvestres no Arquipélago dos Açores. Açoreana, 3, 8: 339-357. Instituto da Conservação da Natureza (1999), Guia dos Mamíferos Terrestres de Portugal Continental, Açores e Madeira. Lisboa, ICN. Melo, H. (2000), Biologia Populacional do ouriço-cacheiro (Erinaceus europeus – Linnaeus, 1758) dos Açores. Relatório de Estágio de Licenciatura em Biologia. Universidade dos Açores (policopiado). Reeve, N. (1997), Hedgehogs. London, T&AD Poyser Natural History. Ulfstrand, S. (1961), On the vertebrate fauna of the Azores. Boletim do Museu Municipal do Funchal, 14: 75-86.