obsidiana

Rocha vulcânica vítrea e não vesicular. A textura deste tipo de rocha deve-se a um arrefecimento muito rápido que não permitiu a cristalização dos minerais constituintes, resultando uma massa predominantemente amorfa. Apresenta geralmente cores escuras (preta, castanha ou verde), e fractura conchoidal. Pode ser muito homogénea ou bandada, e conter esferas de minerais resultantes da desvitrificação progressiva do vidro. Embora possa formar-se a partir de lavas de qualquer composição, é mais frequente e abundante em composições mais ricas em sílica (traquitos, fonólitos, riólitos). Os vidros vulcânicos de composição mais básica (basaltos s.l.) constituem geralmente zonas pouco espessas onde a lava arrefeceu mais rapidamente: por exemplo, a película externa de uma escoada ou de uma pillow lava, ou o contacto de um filão com a rocha encaixante. Pelo contrário, as lavas mais ácidas podem formar derrames totalmente vítreos, constituindo espessuras significativas de obsidiana.

Pela facilidade com que se obtêm lâminas e arestas afiadas, esta rocha foi, onde disponível, utilizada para produzir lâminas e pontas de seta. Tal é o caso, por exemplo, das culturas pré-históricas da bacia do Mediterrâneo, e das culturas pré-colombianas da América Central.

Nos Açores, a obsidiana é relativamente comum no centro vulcânico do Pico Alto, na ilha Terceira, onde se encontram vidros vulcânicos de cor negra e composição traquítica ou traqui-basáltica. Em menor quantidade pode ser encontrada em qualquer das ilhas, onde a rocha vulcânica tenha solidificado em resultado de um arrefecimento muito rápido. José Madeira