Norte Pequeno (freguesia)
Heráldica Brasão: escudo de verde, rosa dos ventos de prata, guarnecida e com o Norte de vermelho, entre duas liras de prata, em chefe e uma vaca leiteira passante, de prata, malhada e ungulada de negro em alusão à importância da pecuária. Coroa mural de prata de três torres. Listel branco, com a legenda a negro: «Norte Pequeno». Bandeira: branca; cordão e borlas de prata e verde. Haste e lança de ouro. Paulo Lopes Matos
História, actividades económicas e culturais Com uma área de 11,59 km2 a freguesia do Norte Pequeno situada na costa norte da ilha confronta a norte com o oceano Atlântico, a oeste com o Norte Grande (Velas), a este com a Ribeira Seca e a sul com a Calheta. Compreende essencialmente a localidade do Norte Pequeno, de povoamento concentrado, distinguindo-se os lugares do Caminho de Cima e as canadas da Fajã do Mero, do Ginja, da Igreja, de Lázaro Nunes, do Porto e do Outeiro (Festas, Romarias [
], N. Pequeno, 2002). Destacam-se, também, as suas fajãs, nomeadamente as da Penedia, Mero e Pontas, esta última com um pequeno porto munido de guindaste (Teixeira, 2001: 87-86). Apesar da fajã dos Cubres pertencer à vizinha freguesia da Ribeira Seca, desde sempre manteve laços estreitos com o Norte Pequeno (por onde se efectua o seu acesso), onde vários dos seus habitantes possuem residências e culturas.
O seu povoamento foi relativamente tardio efectuando-se na sequência do desenvolvimento da Calheta e da Ribeira Seca, aparentemente já no século XVII. Ainda que a fixação de habitantes possa remontar a inícios do século XVII, frei Diogo das Chagas não menciona o povoado no seu «titolo dos fogos
» de 1643 (Chagas, 1989: 501). De facto a criação do curato (pertencente à paróquia da Calheta) data de 1717, alegando-se ter então a localidade 60 fogos e mais de 300 almas de confissão (Santos, 1987: 442; Cunha, I, 1981: 144). Ascendeu à categoria de paróquia em 1748. A sua igreja, dedicada a São Lázaro, é do século XVIII, após ter sucumbido ao violento terramoto de 1757, e era originalmente uma ermida edificada em data anterior a 1690 (Avellar, 1902: 332; S. Jorge. Açores. Guia [
], 2003: 120; Cunha, 1981, I: 144, 204, 214). Nesta paróquia encontrava-se, também, na Fajã da Penedia a ermida dedicada a Santa Filomena construída em 1889, hoje em ruínas (Avellar, 1902: 333; S. Jorge. Açores. Guia [
], 2003: 120; Teixeira, 2001: 95).
A evolução demográfica sugere uma forte estabilidade da população no decurso do século XVIII. Em 1717 arrolavam-se cerca de 354 habitantes (Santos, 1987: 442), 355 em 1767 (Madeira, 1997: 94) e 348 no ano de 1797 (Matos, 1997: 580). Em 1849 a freguesia possuía 444 indivíduos (Silveira, 2001: 837).
As principais produções da paróquia assentavam na criação de gado, dadas as suas excepcionais pastagens, e na agricultura de subsistência, sobretudo o milho, batata, vinha e fruta. A agro-pecuária mantém-se como a principal actividade económica, organizando-se em torno da moderna Cooperativa Agrícola de Lacticínios do Norte Pequeno que reúne, também, vários agricultores da vizinha freguesia do Norte Grande. Destacam-se ainda alguns serviços, nomeadamente a reparação automóvel e o pequeno comércio.
O ensino primário estabeleceu-se em 1867 e, apesar da sua exígua população a freguesia possui uma escola de ensino básico (Avellar, 1902: 333). A sua filarmónica Recreio de São Lázaro foi fundada em 1981, assumindo-se também como um pólo cultural. A Casa do Povo e o Salão Paroquial revelam-se importantes estruturas de convívio e assistência social, sendo ainda de destacar o Grupo dos Bons Amigos. As principais festas da freguesia realizam-se no dia do seu padroeiro, a 17 de Dezembro, em honra do Espírito Santo (Abril/Maio) e de Nossa Senhora do Rosário (15 de Agosto). Paulo Lopes Matos
Bibl. Avellar, J. C. S. (1902), Ilha de São Jorge (Açores). Apontamentos para a sua História. Horta, Tip. Minerva Insulana. Chagas, D. (1989), Espelho Cristalino em Jardim de Várias Flores, direcção e prefácio de Artur Teodoro de Matos, colaboração de Avelino de Freitas Meneses e Vítor Luís Gaspar Rodrigues. Ponta Delgada, Secretaria Regional da Educação e Cultura/Centro de Estudos Doutor Gaspar Frutuoso da Universidade dos Açores. Cunha, M. A. (1981), Notas Históricas. I Estudos sobre o Concelho da Calheta (São Jorge), recolha, introdução e notas de Artur Teodoro de Matos. Ponta Delgada, Universidade dos Açores. Madeira, A. B. (1997), População e Emigração nos Açores (1766-1820). Apêndice documental. Ponta Delgada, Universidade dos Açores (policopiado). Matos, P. L. (1997), A população da ilha de S. Jorge na última década de Setecentos: estrutura e comportamentos, in O Faial e a Periferia Açoriana nos Séculos XV a XIX. Horta, Núcleo Cultural da Horta: 551-582. Pereira, A. S. (1987), A Ilha de S. Jorge (Séculos XV-XVII). Contribuição para o seu estudo. Ponta Delgada, Universidade dos Açores. São Jorge. Guia do Património Cultural (2003). S.l., Atlantic View Actividades turísticas. Silveira, L. N. E. (2001), Os Recenseamentos da População Portuguesa de 1801 e 1849. Edição Crítica. Lisboa, Instituto Nacional de Estatística, II. Teixeira, O. (2001), Ao Encontro das Fajãs. Velas-São Jorge, ed. autor.
CD-ROM: Festas, Romarias e Tradições 2000 Hoje (2002), org. de João Carlos de Oliveira, entrada Norte Pequeno.
