nefoscópio de José Agostinho
Do grego nephos, nuvem e scopen, observar. Aparelho concebido por José *Agostinho para observar o movimento das nuvens e calcular a velocidade do vento. O aparelho consiste de uma caixa de madeira, com um espelho a cobrir-lhe o fundo e uma tampa de vidro onde está marcado um ponto de referência, e de uma régua, previamente graduada atendendo às dimensões da caixa e ao tempo de observação.
Para funcionar, a caixa é colocada de modo que uma das suas faces fique orientada segundo o meridiano; depois, através do espelho, procura-se um ponto da nuvem em observação; o movimento deste ponto é acompanhado relativamente à imagem do ponto de referência marcado sobre a tampa de vidro; sobre a tampa, marcam-se, a tinta, dois pontos correspondentes a duas posições sucessivas da nuvem com um intervalo de um minuto. A união desses dois pontos dá a direcção do movimento da nuvem e a medida da sua distância, com a régua apropriada, dá a sua velocidade.
O nefoscópio exige apenas um observador. A direcção e a velocidade da nuvem observada são obtidas, imediatamente, sem qualquer espécie de cálculo.
Este invento foi divulgado pelo Instituto de Coimbra e, em 1925, referido no Meteorological Magazine, publicação editada em Londres. O seu uso foi introduzido em Portugal e em Marrocos graças à atenção que lhe deu Afonso Chaves.
Luís M. Arruda
Bibl. A Democracia (1927), Horta, (2.ª série), n.º 2.393, 20 de Outubro [O «Nefroscópio», reproduzido de A Vanguarda, Angra do Heroísmo].
