musgão

Nome pelo qual são conhecidas as plantas da família das Licopodiáceas (Pteridophyta) pertencentes à espécie Lycopodiella cernua (=Palhinhaea cernua, Lepidotis cernua), também conhecidas por musgo-do-mato (Ormonde e Fernandes, 1980; Schäfer, 2002) e por pinheirinho (Schäfer, 2002).

Segundo Ormonde e Fernandes (1980), Schäfer (2002) e Sjögren (2001) é planta de caule prostrado, muitas vezes subterrâneo, radicante a intervalos mais ou menos longos, assim como, por vezes, alguns ramos primários, emitindo ramos laterais erectos, até 5 cm de diâmetro, lenhoso na base, esbranquiçado, com folhas esparsas a toda a volta; ramos primários até 35,5 cm altos, geralmente erectos ou ascendentes, profusamente ramificados para cima, com os ramos de segunda ordem patentes ou um pouco pendentes ou ascendentes; últimos raminhos férteis, curtos e com 2-3 mm de diâmetro, pendentes, densamente folhosos; folhas alternas, dispostas espiraladamente, sésseis, verde-escuras, glabras, raramente com alguns pêlos na base, as do caule e as da base dos ramos primários, mais ou menos esparsas, patentes a reflexas, as dos extremos dos ramos primários e dos outros ramos mais ou menos densas, todas inteiras, muito densas a imbricadas no extremo; estróbilos ovóides a cilíndricos, amarelados, sésseis e solitários, pendentes na extremidade dos raminhos de última ordem; esporofilos, os da base ovado-lanceolados, os outros ovado-deltóides, com a margem dentado-laciniada, estreitamente imbricados; esporângios transversalmente elipsóide-globosos, separando-se na maturação em duas valvas desiguais; esporos tetraédricos. Perene.

Largamente espalhada pelas regiões tropicais e subtropicais (Ormonde e Fernandes, 1980; Schäfer, 2002), foi registada para os Açores por Seubert (1844). Ocorre nas ilhas de S. Miguel, Terceira, Pico, Faial e Flores (Schäfer, 2002; Silva et al., 2005), localmente comum próximo de nascentes de água quente, em plantações antigas de criptoméria e em declives húmidos geralmente acima dos 400 m de altitude mas algumas foram observadas junto dos 200 m (Ormonde e Fernandes, 1980; Schäfer, 2002; Sjögren, 1973). Luís M. Arruda

Bibl. Ormonde, J. e Fernandes, R. B. (1980), Lycopodiella cernua In Iconographia Selecta Florae Azoricae, A. Fernandes e R. B. Fernandes (eds.), Secretaria Regional da Cultura da Região Autónoma dos Açores, vol. 1, fasc. 1: 9-14. Schäfer, H. (2002), Flora of the Azores, A field guide. Weikersheim, Margraf Verlag. Seubert, M. (1844), Flora azorica. Bona, Adolphum Marcum. Silva, L., Pinto, N., Press, B., Rumsey, F., Carine, M., Henderson, S. e Sjögren, E. (2005), Lista das plantas vasculares (Pteridophyta e Spermatophyta). In Borges, P. A. V., Cunha, R., Gabriel, R., Martins, A. F., Silva, L. e Vieira, V. (eds.), A list of terrestrial fauna (Mollusca and Arthropoda) and flora (Bryophyta and Spermatophyta) from the Azores. Horta, Angra do Heroísmo e Ponta Delgada, Direcção Regional do Ambiente e Universidade dos Açores: 131-155. Sjögren, E. (1973), Recent changes in the vascular flora and vegetation of the Azores Islands. Memórias da Sociedade Broteriana, 22, 5-453. Id. (2001), Plantas e flores dos Açores. S.l., ed. do autor.