Mosteiro, freguesia

História, Actividades Económicas e Culturais Do concelho de Lajes das Flores, fica situada na parte sul da ilha das Flores, a uma distância de cerca de 11 quilómetros da respectiva sede, a oeste desta. Tem 50 habitantes, 24 famílias e 34 edifícios (Censos de 2001).

É constituída pelas localidades de Mosteiro e Caldeira, localidade esta que fica a cerca de um quilómetro do centro da freguesia e que já se encontra desabitada desde a década de 1990.

Elevada a paróquia por D. Maria II a 23 de Outubro de 1850, foi desanexada da paróquia da *Fajãzinha, tendo ficado limitada a oeste pela Ponta dos Bredos e a este pela Ribeira do Fundão ou Ribeira dos Ladrões, até onde chegava aquela paróquia, segundo descrevia, em 1822, o padre *Camões (Leite, 1990: 501 e Camões, 2006: 94 e 95).

Tendo como orago a Santíssima Trindade, essa elevação foi feita na sequência da edificação da sua igreja, bem como do respectivo cemitério, edificações estas que terão sido concluídas em 1846. No cumprimento de uma promessa, essas obras foram feitas por António de *Freitas (1792-1864), um aventureiro e benemérito nascido na Fajãzinha que, depois de ter feito fortuna em Macau, chegou às Flores com a mulher e filhos, no seu próprio navio, trazendo consigo a imagem de Santa Filomena, paramentos religiosos e outros bens e equipamentos domésticos que terão desembarcado no porto da Fajã Grande (Gomes, 2003: 178-183, e Trigueiro, 2003: 61-65). Depois de ter construído a sua casa e aquelas edificações, em cujo cemitério foram sepultados os corpos da mulher e de um filho prematuramente falecidos, António de Freitas acabou por se fixar em Santa Cruz das Flores onde viria a casar e a falecer, deixando à paróquia do Mosteiro o referido património. A imagem de Santa Filomena, que foi muito venerada até 1961 e que foi objecto da principal festa anual religiosa da freguesia, ainda se mantém nos altares da respectiva igreja, não obstante as orientações para o afastamento da sua veneração então transmitidas pela Igreja Católica, por falta de provas históricas da sua vida.

O nome da localidade poderá ter tido como origem os Mosteiros, da Ilha de S. Miguel, já que um dos primeiros proprietários dos terrenos limítrofes, dos Lajedos, seria um tal micaelense com o nome de João Soares, dali proveniente (Gomes, 2003: 163). Antes de 1822 a povoação já era designada por Mosteiro, como se pode constatar no Relatório do Padre Camões, que nos fala dela sem igreja, mas com juiz vintenário e uma ordenança militar subordinada à 2.ª Companhia da vila das Lajes (Leite, 1990: 501 e Camões, 2006: 94 e 95).

Nela existe uma Irmandade do Espírito Santo, em cuja sede, edificada em 1879, serviu e/ou serve de escola e de apoio a outras realizações de interesse público, social e recreativo, e se realizam as respectivas festas anuais. O edifício da sede da Junta de Freguesia foi inaugurado em 1989.

Servida por estrada que a ela chegou na última metade da década de 1950, na sequência da construção do traçado Lajes-Terreiros, anteriormente tinha acessos difíceis por caminhos rústicos e pedregosos, feitos de calçada e de terra batida, nem sempre acessíveis por carros de bois.

Os seus habitantes vivem essencialmente da agro-pecuária, realizada em explorações de tipo familiar onde predomina a pequena propriedade, actividade essa que se tem intensificado e substituído as culturas do trigo, do milho, das batatas branca e doce, do inhame, do feijão, das couves e de outras hortaliças, que estão em decadência acentuada, face à globalização e à falta de mão-de-obra resultante da emigração desencadeada sobretudo a partir da década de 1950. Na agro-pecuária a produção bovina é essencialmente destinada à produção de carne e de leite. Antigamente chegou a ter fabrico de manteiga e recolha de natas, quer dependente do sector privado, quer cooperativo. Na ribeira do Mosteiro chegaram a existir dois moinhos de água, de tipo rodízio de roda horizontal, destinados à moagem de cereais. A pesca está praticamente a desaparecer, mas antigamente servia de complemento da economia familiar e era praticada por terra e por mar, através de algumas embarcações existentes no seu pequeno porto, hoje totalmente desactivado.

Na estrada regional da freguesia vê-se a majestosa e original Rocha dos Bordões, um dos pontos de maior interesse turístico da ilha, representativo de um dos fenómenos mais singulares da natureza. Nela existem outros pontos naturais de interesse turístico, utilizando-se, sobretudo, as estradas municipais e os caminhos pedestres que lhe dão acesso.

Nela paroquiou, entre 1893 e 1896, o Padre Francisco Nunes da Rosa Júnior, contista açoriano de origem picoense, onde escreveu o livro de contos – Pastorais do Mosteiro. O último pároco que ali residiu foi o Padre Caetano Bernardo de Sousa, que nela permaneceu entre 1896 e 1912, ano em que fixou residência na Fajãzinha, onde veio a falecer em 1945. O mosteirense José da Silva Garcia da Costa, empregado bancário, ali nascido e residente durante a juventude, publicou em 2001 o livro Mero A Caso (Lajes das Flores, Círculo de Amigos da Ilha do Pico), baseado em factos históricos vividos na freguesia. José Arlindo Trigueiro

Bibl. Camões, J. A. (2006 [1822]), Obras – memória da ilha das Flores. Lajes das Flores, Câmara Municipal de Lajes das Flores. Censos de 2001. Angra do Heroísmo, Serviço Regional de Estatística dos Açores. Gomes, F. A. N. P. (2003), A Ilha das Flores: da redescoberta à actualidade. Lajes das Flores, Câmara Municipal de Lajes das Flores. Leite, J. G. R. (1990), Um Retrato da Ilha das Flores no Final do Antigo Regime – A Memória do Padre José António Camões. Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, XLVIII: 465-475 [transcreve deste padre o «Relatório das Cousas Mais Notáveis ... nas Ilhas das Flores e do Corvo», 1815-1822]. Trigueiro, J. A. A. (2004), Florentinos que se Distinguiram. Lajes das Flores, Câmara Municipal de Lajes das Flores.