Morais, Sebastião Gonçalves de (pe.)
[S. Miguel, séc. XIX] Foi prior da freguesia das Feteiras. Viveu, ardente e atentamente, a política do Continente na altura. Quando morreu D. João VI, em Março de 1826, o País ficou a ser governado sob um absolutismo moderado, mais virado para a Direita. Problemas de ordem política entre D. Pedro e D. Miguel causaram revoltas internas, quando a infanta D. Isabel Maria, irmã de D. Pedro IV, fez aclamar D. Maria II, sua sobrinha, e jurar a Carta Constitucional em todo o Reino, organizando, simultaneamente, as eleições para as novas Cortes. O padre Morais, afecto à nova soberana, ainda jovem, publicou o Sermão Panegirico pelo triumpho da legitima causa da Rainha sr.ª D. Maria II e da Carta Constitucional, por ocasião do Te-Deum que, na Matriz da cidade, fez celebrar a Câmara Municipal de Ponta Delgada, no preciso ano de 1826, data da Carta. Deu ainda à estampa o Sermão de S. Francisco Xavier prégado na Matriz de Ponta Delgada, datado de Ponta Delgada, 1843. Deixou inédito um Catecismo da Idade Madura. Na folha dos ordenados dos eclesiásticos em 1830, recebia pela alfândega de Ponta Delgada, por sufragar as almas dos Senhores Infantes (D. Henrique e D. Fernando) e para a Fábrica, no lugar de Santa Luzia das Feteiras, 6 moios de trigo, por Janeiro, 40 por Julho e 15 mil reis em cada ano. João Silva de Sousa
Bibl. Arquivo dos Açores (1983). Ponta Delgada, Universidade dos Açores, XI: 315-317; XIII: 271. Marques, A. H. de O. (1981), História de Portugal, III Das Revoluções Liberais aos nossos dias. 6.ª ed., Lisboa, Palas Editores: 3-11. Pereira, J. A. (1939), Padres Açoreanos. Bispos Publicistas Religiosos. Angra do Heroísmo, União Gráfica Angrense: 39. Id. (1950), A Diocese de Angra na História dos seus prelados, II parte, Angra do Heroísmo, Livraria Editora Andrade: 11 e ss..
