Monjardino (os de apelido), nos Açores

A imigração italiana nos Açores foi muito esporádica nos séculos XVII a XIX, deixando porém algum rasto importante como o da família Monjardino, que se afirmou na Ilha Terceira.
O apelido Mongiardino – Monjardino em Portugal e nos Açores - é de derivação toponímica, sendo que existem ainda hoje na Ligúria, região italiana no Norte do país, pelo menos dois lugares desse nome. No começo do século XVIII, Lázaro Monjardino (Génova, 1673 – Lisboa, 1749) saiu de Génova, centro mais importante da Ligúria, rumo a Lisboa, onde estabeleceu uma próspera casa comercial que se relacionava com vários países europeus e o ultramar português e onde passou o resto dos seus dias. Figura de destaque na confraria da Igreja do Loreto, expressão religiosa da colónia de mercadores italianos em Lisboa, Lázaro teve 9 filhos, cuja descendência levou o apelido lígure até ao Brasil, onde se transformou em Monjardim. Foi um bisneto de Lázaro Monjardino, José Inácio de Almeida Monjardino (Lisboa, 1819 – Angra do Heroísmo, 1904), o iniciador do tronco dos Monjardinos açorianos, ao mudar-se por volta de 1845 para a ilha Terceira, aonde mais tarde ocupou o lugar de secretário-geral do Governo Civil em Angra. José Inácio Monjardino alcançou uma posição privilegiada na sociedade angrense do seu tempo, acumulando procurações comerciais e cargos administrativos, desempenhados com elevado sentido humanitário, que lhe granjearam fortunas e um elevado prestígio pessoal. De facto o Conselheiro Monjardino, assim como ficou recordado o ilustre José Inácio na Terceira, foi sucessivamente nomeado Comendador da Ordem de Cristo em 1863, recebeu a carta de brasão em 1865 com as armas dos Andrades e Almeidas e mais tarde, em 1892, tornou-se finalmente Conselheiro de Sua Majestade Fidelíssima. Graças às preciosas pesquisas do Dr. Jorge Pamplona Forjaz, sabemos que teve dois filhos da primeira mulher, D. Domitília Leopoldina de Bettencourt de Vasconcelos e Lemos, com quem casara em 1844 e que faleceu de parto logo após dois anos, e que casou novamente em segundas núpcias (1892) com D. Maria Elvira de Ornelas Bruges Paim da Câmara, de quem não teve descendência. Ambas as mulheres pertenciam aos círculos mais representativos da fidalguia da ilha Terceira. Seu filho Jorge de Lemos Bettencourt de Almeida Monjardino (Angra, 1846-1886), pai de 6 filhos, propagou e fixou o apelido Monjardino nos Açores. Desde essa geração até aos dias de hoje, os membros da prestigiada família de origem genovesa revelaram grande propensão para as Ciências Médicas, tendo-se também notabilizado ao mais alto nível noutras áreas, da cultura às artes e da política ao mundo empresarial. Nos Açores contemporâneos, é de destacar o Dr. Álvaro Monjardino, advogado, empresário e historiador terceirense, figura proeminente no processo político de criação e consolidação da autonomia açoriana,
Membro da Junta Governativa dos Açores após o 25 de Abril, Ministro do IV Governo da República, Deputado e primeiro Presidente da Assembleia Legislativa Regional.

Pierluigi Bragaglia

 

Bibl. Forjaz, J. P. (1987), Os Monjardinos – Uma família genovesa em Portugal, Açores e Brasil. Angra do Heroísmo, Ed. do Autor.