Moniz, Carlos Alberto de Menezes

 [N. Sé, Angra do Heroísmo, 2.8.1948] Músico compositor e orquestrador. A paixão pela música acompanhou-o desde criança, a que não foi alheio o facto de ter crescido no seio de uma família de melómanos. Por esse motivo, abandonou quase no final o curso de Agronomia, passando a residir em Lisboa. A ele se deve a divulgação da música popular açoriana, com destaque para a terceirense, de parceria com Maria do Amparo, a primeira tentativa de adaptação do folclore insular a arranjos e orquestrações que coincidiam com certas correntes da música pop ligeira, no início dos anos 70. A sua projecção nacional iniciou-se com a participação no programa televisivo «Zip Zip», nos finais dos anos 60, a que se seguiram colaborações com José Afonso, Adriano Correia de Oliveira e Carlos Paredes, com os quais gravou diversos discos.

Participou na televisão não só como apresentador mas também como compositor de vários poemas musicais para programas infantis: «Fungágá da Bicharada», «Zarabadim», «Era uma vez», «Mimix», «O rato dos livros», «Vamos contar um conto», «Com pés e cabeça», «Sons do Sol», «Arca de Noé», entre outros. «A Casa do tio Carlos», programa diário na TVI durante dezassete meses, foi considerado o melhor programa infantil da televisão portuguesa, nos anos 80.

Participou em bandas sonoras para várias séries de cinema e de televisão: «Duarte e Companhia», «O Beijo de Judas», «Crime de luxo», «Mau tempo no canal» e «O Bando dos Quatro». É também autor de singles publicitários e partituras para peças de teatro de revista do Parque Mayer. Na Rádio Difusão Portuguesa apresentou o programa «Perto do Coração», no final da década de 90. Representou Portugal no Festival da Eurovisão da Canção (1990 e 1992), na qualidade de orquestrador e director de orquestra da canção portuguesa. Em 1991, representou Portugal como autor e intérprete no Festival da Canção, em Corfu. É detentor de prémios de vários concursos a nível de composição e orquestração, nomeadamente «Prémio Marceneiro da Cidade de Lisboa», «Prémio Lacticoop» e «Casa da Imprensa». Foi galardoado com os diplomas de mérito da Associação Nacional de Bombeiros e da Liga Protectora de Animais. É membro da direcção da Sociedade Portuguesa de Autores e presidente da Assembleia-geral do Sindicato Nacional dos Músicos. Tem mais de duas dezenas de álbuns editados, para além de centenas de músicas interpretadas por outros cantores.

A sua ligação aos Açores manteve-se ao longo dos anos, mas reforçou-se com a composição da música para a Marcha das Sanjoaninas, desde 1974. Privilegia poemas de autores açorianos, mas também continentais, criteriosamente seleccionados pela sua qualidade. Na Rádio Televisão Portuguesa/Açores apresentou, em 2005, o programa semanal «Casa dos Açores». Tem participado em numerosos espectáculos quer no país quer no estrangeiro, junto das comunidades de emigrantes. Carlos Enes

Discografia Principal. (1972), Temas Populares dos Açores. (1973), Temas Populares Portugueses. (1976), Fungágá da Bicharada. (1978), Viva a Pequenada. (1987), Histórias de um português qualquer. (1989), Rua dos Navegantes. (1992), Arca de Noé. (1993), Macau um sonho oriental, cantata, Instituto Português do Oriente. (1999), 25 anos de marchas. (2000), Clássicos açorianos. (2003), Herdeiros da Maresia.

 

Bibl. Diário Insular (1998), Angra do Heroísmo, 9 de Setembro. Expresso das Nove (2003), Ponta Delgada, 22 de Agosto.

 

 

Adenda

Em outubro de 2010 foi convidado para integrar a Comissão de Patronos, constituída para as comemorações do 70º Aniversário da Liga Portuguesa Contra o Cancro e em 2011 regressa à Sociedade Portuguesa de Autores na qualidade de membro da direção.
Em 2007 colaborou com o programa “Portugal no Coração”, que passa na RTP1, onde fez pequenas reportagens sobre o país e os portugueses. Também teve breves intervenções como ator nas séries televisivas "''Duarte e Companhia", "Sociedade Anónima", "Ferreirinha" e "29 Golpes".
Em junho de 2007 iniciou um ciclo de atuações no DUARTELOUNGE no Casino Estoril, dedicado à Música Popular Açoriana, acompanhado em palco por Domingos Silva ao piano, Nuno Fernandes no contrabaixo e Natália Juskiewicz no violino.
A 26 de outubro de 2008 estreou o programa da sua autoria “Portugal Sem Fronteiras”, com emissão direta na RTP 1, RTP Internacional e RTP África.
Em fevereiro de 2011 começou as gravações de "Prove Portugal", 13 programa que apresentou em parceria com Ana Galvão. Nesse mesmo ano regressou à estrada juntamente com a equipa do “Verão Total” e foi também ao serviço da RTP que apresentou o programa das “Festa das Vindimas” no norte do país.
Participou em espetáculos ao vivo como orquestrador ou como instrumentista, em discos com José Afonso, Adriano Correia de Oliveira, Carlos Paredes, Manuel Freire, José Jorge Letria, José Barata Moura, Maria da Fé, José Mário Branco, Toni de Matos, Fernando Tordo, Paulo de Carvalho, Carlos do Carmo, Mário Viegas, José Carlos Ary dos Santos, Lenita Gentil, Brigada Vitor Jara, Chico Buarque de Holanda de entre outros.
Ao longo da sua carreira atuou em Portugal, Espanha, Itália, França, Países Baixos, Bélgica, Suíça, Reino Unido, Noruega, Suécia, Alemanha Ocidental e Alemanha Oriental, antiga União Soviética, Bulgária, (antiga) Jugoslávia, Estados Unidos, Canadá, Brasil, Macau (na República Popular da China), Senegal, Angola, Timor-Leste.
Recebeu em junho de 2000 a Medalha cidadão de mérito da cidade de Angra do Heroísmo, no dia 31 de março de 2001 foi homenageado durante a cerimónia do 118º aniversário da Sociedade Voz do Operário, em 10 de junho de 2003 foi agraciado com o grau de Comendador da Ordem de Mérito por sua Excelência o Presidente da República Portuguesa Dr. Jorge Sampaio e em 2012 foi agraciado com a Insígnia autonómica de mérito cívico.
Em 2020, protagonizou o espetáculo “50 Anos Depois…”, no qual apresentou um novo CD de originais “O Amor Virá Mais Tarde”, com um livro.
Em 2022, prepara um novo disco, com 38 canções sobre o mar e muitos convidados especiais.  Ranu Costa (2022)