Moisés, O (Moisés, António Pereira)
[N. S. Bartolomeu, ilha Terceira, 11.11.1867 m. ibid., 20.4.1944] Poeta popular. Era rachador de lenha. Não sabia ler nem escrever. O Moisés foi um improvisador perspicaz, que não poupava as provocações dos adversários. Em cantoria com o Bravo, num dia de bodo, em que este pedia uma esmola de carne: «P'ra o Bravo ficar contente, / E vocês não ficarem mal, / Mandem-lhe a posta da frente / Onde se emprega o metal.»
Doutra vez, num desafio nas Doze Ribeiras, dirigiu-se ao João Canoa, ferreiro, porque este disse-lhe que em vez de gravatas, fazia era coleiras para cães: «Eu tenho lá uma gravata / Feita de pele de cordeiro, / Que era boa p'ra ti João, / Porque tu és um ferreiro». J. H. Borges Martins
