Miranda Quiros, Diego de
[N. ? ? m. Angra, ?.11.1607] Mestre-de-campo. Governador militar dos Açores e primeiro castelão do Castelo de S. Filipe do Monte Brasil (1600-1607). Os cronistas açorianos, nomeadamente Maldonado e Drummond, dão-lhe o apelido de Queirós.
Nomeado por proposta do Conselho de Guerra, de Janeiro de 1599, para substituir o mestre-de-campo Antonio *Centeno, no governo do presídio espanhol da Angra, Diego de Miranda Quiros desempenhava o cargo de capitão da companhia de Cavalos Ligeiros dos Guardas. Depois de servir muitos anos em Flandres, na Infantaria e na Cavalaria, regressou a Espanha, e fora promovido a capitão de infantaria, depois a capitão de arcabuzeiros de cavalo. Só em princípios de 1600, porém, chegou à Terceira. Vinha incumbido de embarcar cerca de 1.500 soldados do terço deixado pelo Marquês de Santa Cruz, e de fazer recolher à fortaleza em construção no Monte Brasil, 500 soldados, efectivo espanhol fixado para, de futuro, se manter em Angra. O adiamento no embarque das tropas que deveriam regressar ao reino, levou D. Filipe III a chamá-lo à Corte, em 1601, para dar explicações. Justificou-se alegando a pressão dos corsários ao tempo exercida nos mares do Açores. Durante a sua ausência, comandou o presídio o capitão Pedro de *Heredia. De regresso à Terceira, o mestre-de-campo Miranda Quiros, por dificuldades económicas e pelo atraso em que as obras se encontravam, nunca conseguiu fazer recolher à fortaleza a totalidade dos 500 homens a que ficara reduzida a guarnição. O seu relacionamento com a sociedade civil foi muito difícil, quer por falta de meios financeiros para pagar a aquisição de alimentos para os seus soldados, quer face às tentativas da Câmara de Angra para se emancipar da tutela militar estrangeira. Neste sentido, protagonizou alguns dos episódios mais emblemáticos da presença espanhola em Angra. Foi o primeiro governador do presídio a receber a mercê da castelania do Castelo de S. Filipe do Monte Brasil. Casou em Angra com D. Joana de Melo y Mendonça, de quem não teve filhos e a quem deixou na pobreza, depois de lhe ter gasto o dote no sustento dos soldados. A historiografia açoriana dá-lhe melhor retrato do que aquele que resulta da análise das fontes, quiçá porque o compara com o seu antecessor, António Centeno. Foi substituído interinamente no governo do castelo pelo capitão Francisco de la Rua, até à vinda do mestre-de-campo D. Pedro Sarmiento. Manuel Faria
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Bibl. Drummond, F. F. (1981), Anais da Ilha Terceira. Angra do Heroísmo, Secretaria Regional de Educação e Cultura, I. Maldonado, M. L. (1990), Fenix Angrence. Angra do Heroísmo, Instituto Histórico da Ilha Terceira, II. Sampaio, A. S. (1904), Memoria Sobre a Ilha Terceira. Angra do Heroísmo, Imprensa Municipal.
