Miranda, José Roberto Pires Alves de

 [N. Lisboa, 1769 – m. ibid., 24.1.1834] Foi destacado para servir no Estado da Índia em 1790, como praça porta-bandeira e na Índia foi promovido a alferes, em 1792 e a tenente, em 1796, regressando então à Corte. Em 1798 passou a tenente agregado ao Regimento de Setúbal e em 1799 a 1.º tenente da Brigada Real da Marinha. Em 1803 foi promovido a capitão-tenente e no ano seguinte nomeado sargento-mor em exercício no Forte de S. João Baptista das Maias, em Setúbal, sendo em 1811 ajudante das ordens de D. Rodrigo de Lencastre, mas reassumindo o comando do forte em 1812.

Por decreto de 13 de Abril de 1818 foi despachado governador das ilhas do Faial e Pico, com a patente de tenente-coronel. Manteve-se nesse posto até 1822 tendo nesse ano, em Outubro, obtido licença para tratar de assuntos pessoais no Brasil. Durante o seu comando deu-se na Horta a «revolução pacífica» que aclamou e jurou a Constituição política de 1820, separando as ilhas do Faial e Pico da Capitania-Geral dos Açores. Formou-se então um governo interino, em 1821, a que José Roberto de Miranda presidiu, o que demonstra os seus sentimentos liberais, como deduz Silveira Macedo.

Depois de abandonar o Faial, pouco sabemos da sua carreira militar para além de ter aderido, em data incerta, ao Partido Liberal, sendo integrado no Exército Libertador desde 14 de Setembro de 1831. Foi preso nesse ano no Castelo de S. Jorge de Lisboa e veio a morrer em consequência de moléstias adquiridas na cadeia. J. G. Reis Leite

Fonte. Arquivo Histórico Militar (Lisboa), cx. 1.954.

 

Bibl. Macedo, A. L. S. (1981), História das quatro ilhas que formam o distrito da Horta. 2.ª ed., Angra do Heroísmo, Secretaria Regional da Educação e Cultura, II: 124, III: 244.