Minhas Terras
Alcunha de cinco irmãos Pedro, Sebastião, Agostinho e Jerónimo, todos com o apelido de Fernandes, e António com o apelido de Cordeiro que alcançaram notoriedade na luta contra a presença espanhola na ilha Terceira, em 1641. Filhos de um tanoeiro, exerciam a mesma profissão na cidade de Angra. Todos eles sabiam ler e escrever e ao longo dos anos foram subindo socialmente, acabando por incorporar a alcunha no próprio nome. Mesmo antes da proclamação de D. João IV, os Minhas Terras eram admirados pelo povo não só pelo seu fervor patriótico mas também pela ousadia com que enfrentavam os poderosos locais nos seus desmandos contra os mais pobres. Dois deles fizeram parte de um grupo de populares que apresentou ao rei uma proposta para que fosse criado na Terceira um cargo de vice-rei para governar os Açores com equidade, fazendo justiça a todos e protegendo os fracos e os pobres, o que não acontecia com os governadores-gerais espanhóis. Após a aclamação de D. João IV na Praia, a 24 de Março de 1641, os irmãos Minhas Terras andaram metidos em várias escaramuças e congregaram a vontade popular para que a mesma aclamação se fizesse em Angra, ultrapassando a nobreza local, indecisa e amedrontada. É muito provável que a população se tenha reunido junto à casa ou oficina deles e dali terá partido a aclamação. Essa rua, embora oficialmente tenha tido outras designações, incluindo a dos Tanoeiros, ficou conhecida popularmente por rua dos Minhas Terras. Por altura das comemorações do Duplo Centenário, que se prolongaram em Angra do Heroísmo ainda no ano seguinte, a Câmara Municipal decidiu, a 12 de Março de 1941, denominá-la com a alcunha/nome dos conhecidos patriotas, num conjunto de homenagens a outras personalidades que se haviam distinguido na luta contra o domínio filipino. Carlos Enes
Bibl. Braz, H. (1985), Ruas da cidade e outros escritos. Angra do Heroísmo, Instituto Histórico da Ilha Terceira: 319-345.
