milho-de-canário

Nome pelo qual são conhecidas as plantas da família das Poáceas (Monocotiledónea) pertencentes à espécie Panicum miliaceum, segundo Palhinha (1966). Bernardo e Montenegro (2003) relacionam este nome com a espécie Pennisetum longistylum (ver abaixo: P. villosum) e Coelho (1963: 246) relaciona-o com Phalaris canariensis, ambas da família das Poáceas.

Segundo Franco (1998: 220), Panicum miliaceum é um terófito cespitoso, com colmos com 25 a 120 cm, erectos ou ascendentes; folhas com 5 a 20 mm de largura, com pêlos tuberculados, compridos e esparsos nas duas páginas e ao longo da nervura central da página externa, escábridas nas margens; inflorescência em panícula com 10 a 30 cm, um tanto frouxa a mais ou menos compacta; espiguetas com 4 a 5,5 mm, ovóide-acuminadas.

Espécie originária da Ásia Central, era outrora cultivada quer para o aproveitamento do grão (milho-miudo) quer para o aproveitamento da palha depois de seca no fabrico de vassouras (cf. Franco, 1998: 220; Coelho, 1963: 246). Actualmente é de ocorrência bastante rara.

Bernardo e Montenegro (2003) e Pereira (1953) relacionam o fabrico de vassouras com a espécie Sorghum dochna var. technicum, também da família das Poáceas, e com o nome vernáculo milho-de-vassoura que também aparece grafado milho-de-bassoura (cf. Costa, 1947: 95). «A gente semeia o milho [...]. Assim que está seco, a gente faz vassouras. A gente escolhe os espigos melhores; a gente escolhe os espigos melhores para furar por fora» (cf. Bernardo e Montenegro, 2003: 262). 

P. villosum é uma espécie originária do nordeste de África e Arábia. Ornamental escapada, ocorre bem estabelecida e invasiva, em terrenos declivosos, secos, e bermas das estradas até 250 m de altitude (Schäfer, 2002), em todas as ilhas dos Açores excepto em S. Jorge (Silva et al., 2005).

P. canariensis é uma espécie frequentemente cultivada devido às cariopses, pequenas e amareladas, utilizadas na alimentação de pássaros em gaiola (cf. Franco, 1998: 185).

Luís M. Arruda

 

Bibl. Bernardo, M. C. R. e Montenegro, H. M. (2003), O falar micaelense. Fonética e léxico. S.l., João Azevedo Editor. Coelho, M. A. (1963), Vocabulário regional das ilhas do Faial e do Pico. Boletim do Núcleo Cultural da Horta, 3, 2: 231-390. Costa, C. (1947), Terminologia agrícola michaelense. Boletim da Comissão Reguladora dos Cereais do Arquipélago dos Açores, 6: 91-98. Franco, J. A. e Afonso, M. L. R. (1998), Nova Flora de Portugal (Continente e Açores), vol. III, fasc. II, gramineae. Lisboa, Escolar Editora. Palhinha, R. T. (1966), Catálogo das plantas vasculares dos Açores. Lisboa, Sociedade de Estudos Açorianos Afonso Chaves. Pereira, S. A. (1953), Principais plantas cultivadas e espontâneas nos Açores. Boletim da Comissão Reguladora dos Cereais do Arquipélago dos Açores, 18: 1-32. Schäfer, H. (2002), Flora of the Azores, A field guide. Weikersheim, Margraf Verlag. Silva, L., Pinto, N., Press, B., Rumsey, F., Carine, M., Henderson, S. e Sjögren, E. (2005), Lista das plantas vasculares (Pteridophyta e Spermatophyta). In Borges, P. A. V., Cunha, R., Gabriel, R., Martins, A. F., Silva, L. e Vieira, V. (eds.) A list of terrestrial fauna (Mollusca and Arthropoda) and flora (Bryophyta and Spermatophyta) from the Azores. Horta, Angra do Heroísmo e Ponta Delgada, Direcção Regional do Ambiente e Universidade dos Açores: 131-155,