Mexia, Gonzalo (D.)

 [N. ?, 1555(?) – m. Angra, 1618] Mestre-de-Campo. Governador Militar dos Açores e Castelão da Fortaleza de S. Filipe do Monte Brasil (1614-1618). Recebeu a tenência do Castelo de S. Filipe do Monte Brasil, na sequência da nomeação do titular, o mestre-de-campo D. Luís de *Avila Monrroy, para o governo de Aragão. Era, então, capitão e sargento-mor do Conselho de Guerra em Flandres onde servia há 29 anos, e estivera na Flandres, na jornada de Inglaterra e na expulsão dos mouros de Aragão e da Catalunha.

Só no início de 1615 deverá ter chegado à Terceira. Os cronistas açorianos – Maldonado e Drummond – dão do governo de D. Gonzalo Mexia a melhor notícia: fidalgo nobilíssimo, amigo dos portugueses a quem não fez agravo nem ofensa. Mesmo dando andamento às obras da fortaleza, empenhou-se particularmente na florestação e arranjo da grota na encosta leste do Monte Brasil, fazendo dela uma zona de lazer ou regalo, onde mandou construir a ermida de Santo António. Por este tempo, continuavam os corsários e piratas a infestar os mares dos Açores. Nomeadamente em Santa Maria, em 1613, 300 mouros armados tomaram de assalto a ilha sem encontrarem resistência, saquearam-na durante oito dias e levaram cativos cerca de 200 habitantes. Assim, havendo informações de que de Argel iria sair uma esquadra para saquear as ilhas, Filipe II de Portugal enviou a Angra o capitão e sargento-mor Marcos Fernandes de Teive para com o governador do castelo, o corregedor Mesquita e o provedor das armadas e capitão-mor de Angra Manuel do Canto de Castro prepararem o plano defensivo da Terceira e restantes ilhas dela dependentes. Muito embora o mestre-de-campo fosse a autoridade militar máxima do Arquipélago, foi o enviado régio quem, no terreno, promoveu o reforço da fortificação, se bem que limitado por falta de verbas, e a reorganização do serviço de ordenança; foi ele quem passou à Praia – vila ainda a braços com a destruição provocada pelo terramoto de 1614 – com o mesmo objectivo, e depois às mais ilhas a que vinha. Relativamente à fortaleza, houve, fundamentalmente, a preocupação de a dotar com mantimentos para resistir cercada, se viesse a ser essa a situação, por um período de seis meses, de acordo, aliás, com as instruções régias de execução permanente. Os corsários não chegaram a aparecer, mas os pormenores deste episódio são particularmente significativos do entendimento prático que havia sobre a missão da guarnição espanhola aquartelada nos Açores (cfr. *Marinha de Guerra).

Em Angra o castelão D. Gonzalo Mexia terminou os seus dias, falecendo em 1618. Sucedeu-lhe no governo militar dos Açores e na castelania da fortaleza de S. Filipe do Monte Brasil o mestre-de-campo Pedro Ponce de Leon. Manuel Faria

Fontes. Archivo General de Simancas, Guerra y Marina, leg. 789, docs. s. n.º; leg. 790, doc. s. n.º; leg. 793, doc. s. n.º.

 

Bibl. Drummond, F. F. (1981), Anais da Ilha Terceira. Angra do Heroísmo, Secretaria Regional de Educação e Cultura, I. Maldonado, M. L. (1990), Fenix Angrence. Angra do Heroísmo, Instituto Histórico da Ilha Terceira, II. Sampaio, A. S. (1904), Memoria Sobre a Ilha Terceira. Angra do Heroísmo, Imprensa Municipal.