mercados
Os mercados como espaço organizado e controlado para a venda de mercadorias só foram instituídos no século XIX. Todavia sempre foi permitida a venda ambulante de géneros pelas ruas ou a concentração em lugares mais movimentados com consentimento das Câmaras Municipais, pelos quais cobravam rendas. Na Horta, os vendedores faziam mercado no sítio da Boa Viagem; em Ponta Delgada no lado Sul do Largo da Matriz, na Praça do Pelourinho, onde os vendedores se instalavam pelas arcadas e daí a designação de Arcadas da Feira; em Angra, nas escadinhas da igreja do Colégio e na Praça dos Santos Cosme e Damião, conhecida depois por Praça Velha, após a abertura de uma nova. Mesmo nestes espaços improvisados as Câmaras não deixavam de cobrar taxas. No início do século XIX já existiam alguns barracões em Angra com essa função. O da venda de peixe arrecadou, em 1819, 240 mil réis de receita e um outro uns anos depois 448 mil réis por ano. Vários projectos foram sendo elaborados e feitos os respectivos orçamentos, mas a falta de verba e as várias remodelações urbanísticas acabaram por ir adiando a sua concretização. Em Ponta Delgada, em 1848-1849, foi lançado o projecto para o mercado da Graça que foi ampliado em 1872. Neste mesmo ano foi construído o mercado da Sardinha ou do Corpo Santo, para a venda de peixe e hortaliças. Na zona da Calheta, o peixe era vendido na rua, mas em 1879 foi erguido um barracão. Quando se construiu a marginal, foi destruído o Cais da Sardinha e o mercado anexo. Nas vilas da Ribeira Grande e da Lagoa foram organizados recintos para feira de gado e peixe, respectivamente, em 1848-1849.
Na Horta, só em 1838 a Junta Geral deliberou regularizar o espaço do mercado da Boa Viagem, publicando um edital cuja preocupação principal residia na melhoria das condições higiénicas. Um novo mercado foi inaugurado em 1841, ficando o primeiro só para o peixe, até 1861, altura em que foi construído outro no Monturo. Nos anos 60 havia um pequeno mercado de peixe em Porto Pim.
Em Angra, o mercado Duque de Bragança começou a funcionar a partir de 1833, na cerca do extinto convento da Esperança. O Mercado D. Maria Pia, dedicado à venda de peixe, foi inaugurado a 23 de Agosto de 1884, mas foi desactivado em 1960, com as obras de remodelação no primeiro que passou a vender também o peixe. Na Praia da Vitória funcionavam no início do século XX, uma praça para géneros alimentícios e outra para o peixe.
Uns foram sofrendo remodelações, outros foram desactivados com a construção de novos recintos, mas o fenómeno só teve algum impacto nas ilhas maiores. As mercearias, ou as vendas como são designadas nos meios rurais, desempenharam durante muito anos um papel importante no fornecimento de géneros, sofrendo nos últimos anos, uns e outros, a concorrência das grandes superfícies comerciais. Carlos Enes
Bibl. Lima, M. (1981), Anais do Município da Horta. 3.ª ed., Vila Nova de Famalicão, Oficinas Gráficas Minerva, III: 150-154. Os mercados de Ponta Delgada (1919), Revista Michaelense, Ponta Delgada, ano 2.º, 5, Novembro: 530-542. Merelim, P. (1974), As 18 paróquias de Angra. Angra do Heroísmo, Tip. Minerva Comercial: 108, 685 e 836. Id. (1983), Freguesias da Praia. Angra do Heroísmo, Direcção Regional de Orientação Pedagógica da Secretaria de Educação e Cultura, II: 497. Ribeiro, J. (1998), Dicionário Toponímico, Ecológico, Religioso e Social da ilha Terceira. Angra do Heroísmo, Direcção Regional dos Assuntos Culturais: 199.
