Mendonça, João Manuel de Moraes Lamas da Silveira de

[N. S. Cristóvão e S. Lourenço, Lisboa, 23.3.1947] Viveu parte da adolescência em Coimbra onde seu pai dirigia a Escola de Regentes Agrícolas. Fez os estudos secundários nos Jesuítas enveredando depois pelo jornalismo, cujo curso terminou no Centre de Formation de Journalistes et Cadres de Presse de Paris em 1977. Manteve colaboração esparsa em jornais e revistas iniciando a sua carreira profissional como membro do gabinete do Secretário de Estado da Comunicação Social, seguindo-se o do Ministro das Finanças e do Plano donde posteriormente, em 1980, ingressa por concurso na Companhia Nacional de Petroquímica onde organizou o III Congresso Mundial do sector, dirigiu a revista e promoveu a série dos «Encontros do Monte Feio», sobre o futuro da industria portuguesa.

Depois de novas e breves passagens por gabinetes ministeriais, é nomeado em 1982 Director Regional dos Assuntos Culturais do Governo Regional dos Açores presidido pelo Dr. João Bosco Mota Amaral e tendo como Secretário Regional da Educação e Cultura, o Dr. António Maria Ornelas Ourique Mendes. Rumou assim à terra de seus antepassados que repousam na ilha Terceira e em S. Jorge.

Nessa função coordenou o restauro dos imóveis com interesse histórico e arquitectónico, afectados pelo sismo de 1980. Cria sob os auspícios da Fundação Calouste Gulbenkian o Centro de Restauro de Angra do Heroísmo e promove a primeira bienal dos Açores e do Atlântico. No seguimento do trabalho encetado pelo Dr. Jorge Forjaz, intervém no Palácio dos Capitães Generais em Angra.

Sob a sua orientação são criados protocolos de cooperação com várias autarquias tendo em vista não só as questões de ordenamento do território, classificação e protecção de imóveis, festivais de teatro, de música, etc. Com a colaboração do Dr. José Nuno Martins, criou o projecto da Barca das Ilhas estabelecendo também protocolos de colaboração com a Universidade dos Açores.

Foi director de Comunicação da Tabaqueira, desde 1987, cargo em que recebeu o prémio nacional de Marketing de 1990. Em 1991 foi nomeado director-geral SUT (Sociedade Unificada de Tabacos), ascendendo primeiro a vogal (1993), e depois, presidente do respectivo Conselho de Gerência (1995).

Na sua passagem pelos Açores e por devoção às suas raízes insulares, dedica-se a trabalhos de genealogia que jamais abandonará tendo já feito várias comunicações fruto de aturada investigação nos arquivos insulares e continentais. Nesta área dedicou-se particularmente ao estudo das redes familiares de alguns povoadores açorianos e, dentre a obra publicada, destaca-se Os Furtado de Mendonça portugueses, ensaio sobre a sua verdadeira origem trabalho em que, de parceria com Manuel Abranches de Soveral, efectuou um levantamento em fontes primárias de dezenas de documentos medievais inéditos sobre esta linhagem.

Já na idade madura licenciou-se em História doutorando-se em História Medieval. Tem estudado as ordens militares portuguesas, designadamente S. Bento de Avis, cujas «visitações» do primeiro quartel do século XVI publicou.

A sua actividade literária bem cedo iniciada, ganha peso com a publicação do romance Os dias de Missirá em que, no apurado recorte literário se percebem as marcas da vivência ultramarina e do imaginário açoriano. A fluidez da sua prosa, a plasticidade e riqueza imagética, o mágico colorido das histórias e a vibração dos caracteres, marcam um escritor de raça que a par do investigador paciente e rigoroso consubstanciam uma personalidade de referência neste domínio.

João Goulart Bettencourt

 

Obras principais: (1978), Subsídios para uma interpretação eleitoral. Lisboa, S.E.C.S.. (1981), Notas sobre Massas e Públicos In Sines e a Industria Básica. Lisboa, Ministério da Industria. (1986), Poemas de Outras Guerras, Angra do Heroísmo, Direcção Regional dos Assuntos Culturais-Secretaria Regional da Educação e Cultura. (1987), Breve Referência a Aspectos Administrativos e Sociais durante o Povoamento da Ilha Graciosa. In Boletim do Museu de Etnografia da Graciosa, n.º 2, Dezembro. (1990), Os dias de Missirá, romance. Lisboa, Dom Quixote. (2002), Ao redor dos primeiros Mendonças açorianos, In Dispersos (1999-2000). Lisboa, Centro Lusíada de Estudos Genealógicos e Heráldicos, Universidade Lusíada. (2002), Casa de Laboriz, em Telões (Amarante) e casa da Quintã. Adenda ao Cap. III, §-98 vol. VI, (Fascículo 135) dos Carvalhos de Basto, Porto [co-autoria com M. Antonino Fernandes]. (2004), Os Furtado de Mendonça portugueses. Ensaio sobre a sua verdadeira origem. Porto, Masmedia [co-autoria com Manuel Abranches de Soveral]. (2005), Quatro povoadores açorianos, muitas perguntas, poucas respostas. In Boletim do Instituto Açoriano de Cultura, Angra do Heroísmo [co-autoria com Segismundo Pinto]. (2006), A Quinta do Prazo do Mestre, na Telhada (Alenquer). In Actas do V Encontro sobre Ordens Militares. Palmela, Câmara Municipal de Palmela [co-autoria com Cristina Pimenta]. (no prelo), Descendência de João Álvares, cavaleiro de Fervença (Celorico de Basto) nos finais do século XV [co-autoria com M. Antonino Fernandes]. (no prelo), Sobre a ascendência de Vasco Gil Sodré, povoador da Ilha Graciosa [co- autoria com Miguel Côrte- Real e Miguel Metelo de Seixas]. (no prelo), A Ordem Militar de Avis no Alentejo (1519-1532), dissertação de doutoramento.