Mendonça
Dos Açores Associamos nesta entrada os apelidos Furtado e Mendonça uma vez que, embora subsistam casos esporádicos do uso isolado do apelido Furtado, tanto no continente, como nas ilhas da Madeira e S. Miguel, desde, pelo menos 1435, que se generalizou o uso do apelido composto Furtado de Mendonça, usado pelos povoadores açorianos, com excepção dos micaelenses. As razões que estiveram na origem da adopção deste apelido composto foram estudadas por Manuel Abranches de Soveral e Manuel Silveira de Mendonça (2004) e são anteriores ao povoamento dos Açores. Existem, devidamente referenciados, pelo menos três ramos distintos de Furtado de Mendonça que vieram radicar-se nos Açores, tendo em comum o facto de serem referidos como originários da ilha da Madeira e, portanto, considerando-se admissível que existissem laços de próximo parentesco entre eles. No tocante aos ramos da Graciosa e S. Miguel os cronistas e genealogistas avançam dados que, com maior ou menor rigor, fornecem pistas relativas ao entronque madeirense, no atinente ao ramo da ilha Terceira (ligeiramente posterior) apenas se menciona que teria vindo da ilha da Madeira. Iniciaremos esta entrada pelo ramo da ilha Graciosa, não apenas porque se trata daquele que é objecto de mais minucioso tratamento nas fontes disponíveis, como também porque dele procedem os Furtado de Mendonça Lemos de Faria das ilhas do Faial e Terceira, os Furtado de Mendonça das Flores, Furtado e Alvernaz do Pico, bem como os Machado de Mendonça da ilha de S. Jorge.
Nos dois livros de linhagens do século XVI que se conservam na Biblioteca Nacional (Lisboa), o nobiliário quinhentista de famílias da corte, bem assim como no de Damião de Góis, nada se diz sobre Furtado de Mendonça das ilhas. Mas Henrique Henriques de Noronha, no seu Nobiliário genealógico das famílias q passaram a viver à Ilha da Madeira desde o tempo do seu descobrimento q foi no anno de 1420 (1700), diz que a mulher de Bartolomeu Perestrello, a quem chama Beatriz, era prima-direita de D. Ana de Mendonça, a comendadeira de Santos. Também o açoriano Gaspar Frutuoso, em Saudades da Terra, obra incontornável escrita entre 1586 e 1590, diz que a mulher de Bartolomeu Perestrello, a quem chama Catarina de Mendonça, «era neta de uma irmã da Mãe do Mestre de Santiago». Se este parentesco é obviamente anacrónico, nos dois casos, resulta contudo de ambos a clara ideia de uma próxima relação familiar. Que se resolveria se Catarina fosse irmã (meia-irmã ilegítima) do pai da mãe do mestre. Acrescenta este autor quinhentista que a dita Catarina era irmã de Fernão Furtado de Mendonça, povoador da ilha Graciosa.
O que significa dizer que a mulher de Bartolomeu Perestrello, Catarina de Mendonça, era filha de Afonso Furtado de Mendonça, (c. de 1412-1474) anadel-mor dos besteiros e do conselho régio antes de 1462. Tal como seu irmão Fernão Furtado de Mendonça, este referido como bastardo quando em 1475 tem foro de escudeiro fidalgo da Casa Real com 1.500 reais de moradia. E ainda Rodrigo de Mendonça, cavaleiro da Casa Real, morador na ilha Deserta e casado com Catarina Teixeira, de quem não tinha filhos, quando a 23 de Julho de 1471 adopta sua sobrinha-neta Filipa, certamente criança, filha de sua sobrinha Catarina Furtado (filha daquela Catarina Furtado de Mendonça e de Bartolomeu Perestrelo, primeiro capitão-do-donatário da ilha do Porto Santo, e de seu marido Mem Rodrigues de Vasconcelos).
É enorme a tentação de identificar estes Fernão e Rodrigo com os homónimos filhos naturais de Afonso Furtado, o velho, capitão-mor do mar e anadel-mor dos besteiros do conto de D. João I, que foram legitimados por carta real de 1390. Mas isso é impossível, desde logo pela cronologia, o que evita outros argumentos. Em 1475 Fernão Furtado de Mendonça, a ser o legitimado em 1390, teria no mínimo 87 anos de idade, o que parece improvável.
Para ser feito escudeiro da Casa Real em 1475, este Fernão terá nascido lá para 1440, uma vez que foi um dos povoadores da ilha da Graciosa, onde chegou, já casado e com filhos, entre 1473 e 1485. Por seu turno Rodrigo de Mendonça, para em 1471, já casado, adoptar uma sobrinha-neta, não deverá ter nascido depois de 1431. E Catarina de Mendonça, certamente a mais velha dos dois, deve ter nascido cerca de 1430 e casado cerca de 1446, com 16 anos, como era então habitual, com o celebrado Bartolomeu Perestrello, senhor de Porto Santo, de quem foi a terceira mulher, sabendo-se que este estava casado com a sua segunda mulher Margarida Martins a 8 de Junho de 1431.
Esta cronologia permite perfeitamente que sejam, os três, filhos naturais de Afonso Furtado de Mendonça, da mesma ou de diferentes mulheres. Tanto mais que os nomes Fernão e Rodrigo, já o pai, Afonso Furtado, dera aos seus bastardos, sendo que Fernão e Afonso são nomes recorrentes nos primeiros Furtados do continente. Catarina e Rodrigo terão nascido ainda Afonso Furtado de Mendonça era um jovem solteiro. Já Fernão deve ter nascido depois do primeiro casamento do pai, e daí a referência documental de bastardo, nome que tecnicamente só se dava aos filhos naturais de pais casados.
Fernão Furtado de Mendonça terá chegado à ilha Graciosa integrando a comitiva de seu cunhado Pero Correia da Cunha, primeiro capitão-do-donatário de toda a ilha Graciosa.
Trazia consigo, pelo menos, três filhos do seu primeiro casamento celebrado na ilha da Madeira, alegadamente com Catarina de Guevara, filha de D. Garcia Henriques, de Sevilha, como propõem Abranches de Soveral e Silveira de Mendonça: Mundos Furtado de Mendonça, Paulina Furtado de Mendonça, e Manuel Furtado de Mendonça os quais residiram respectivamente nas ilhas Graciosa, Faial e Flores.
Casou segunda vez, na ilha Graciosa, ao redor de 1490, com Guiomar de Freitas (Peixoto), filha de Pedro Gonçalves de Basto, segundo marido de Isabel de Freitas Peixoto. Esta Guiomar de Freitas, bastante mais nova do que Fernão Furtado de Mendonça, tendo enviuvado no começo de Quinhentos, casou segunda vez com Gaspar Dias dArce, com geração. O putativo primogénito do primeiro casamento, Mundos Furtado de Mendonça, que, como proprietário na ilha Graciosa, aparece a assinar um documento em 8 de Agosto de 1492, foi senhor dos ilhéus do Carapacho, na ilha Graciosa, que lhe foram doados por carta de D. Manuel I (25.8.1519), e a quem foi concedida, em 1519, carta de brasão de armas de sucessão. Sobre ele a malograda investigadora Maria Olímpia da Rocha Gil, num trabalho publicado sobre os negócios de Bartolomeu Dias Couceiro na ilha Graciosa (Gil, 1987), escreveu a página 775, tratando de uma doação feita em 1527 pelo escudeiro das Lajes do Pico Afonso Gonçalves (Pereira): Afonso Gonçalves destinou cerca de 4 moios de terra no sítio da Corte Chã, terras essas que lhe tinham advindo em virtude de uma sentença ditada pelo corregedor António de Macedo contra Mendo Furtado de Mendonça e sua mãe Guiomar de Freitas, anteriores donos dos terrenos em questão.
Esta autora, geralmente considerada conscienciosa e a quem a historiografia açoriana muito ficou a dever, não indica a fonte donde extraiu a informação. E tendo falecido entrementes não é possível apurá-lo. Mas uma vez que estudou um conjunto de fontes relacionadas com propriedades fundiárias na Graciosa, designadamente do acervo documental do convento de Jesus da Praia da ilha Terceira, não temos dúvidas em aceitar que a terá retirado de fonte primária. Acresce que os genealogistas são unânimes em escrever que Fernão Furtado de Mendonça casou na ilha Graciosa com Guiomar de Freitas.
Tendo assim estabelecido a filiação de Mundos, e estimado o seu nascimento na ilha Graciosa para c. de 1476, julgo possível delimitar a data da morte deste fidalgo de cota de armas.
Com efeito, e ainda no supracitado trabalho, Maria Olímpia da Rocha Gil publicou, entre outros, mais dois documentos relevantes para esta questão.
No primeiro, verifica-se que em 16 de Março de 1527 se realizou a já mencionada doação do escudeiro Afonso Gonçalves a sua sobrinha Maria de Resende e dela consta que ele (Afonso Gonçalves) tinha terras na ilha Graciosa situadas na Corte Chã, que serão em semeadura 4 moios de trigo pouco mais ou menos as quais terras detêm por Sentença do corregedor António de Macedo e no desembargo julgadas com sua novidade contra os herdeiros e mulher de Mendo Furtado (
) (BPAAH, Convento de Jesus, Praia, documentos).
Esta mesma passagem repete-se, com variações mínimas, num contrato celebrado em Bragança, em 10 de Outubro de 1530, entre o licenciado Afonso de Resende, juiz de fora nessa localidade, e sua mulher Lianor Nunes duma parte, e o futuro marido de Maria de Resende, filha de ambos, que era Cristóvão Paim da Câmara, onde se lê: na ilha Graciosa, na quintã do campo da Corte Chã, nas terras que foram de Mundos Furtado (
) (BPAAH, Convento de Jesus, Praia, documentos).
Sabemos que o corregedor António de Macedo exerceu a sua actividade nos Açores em 1524, ano em que teria sido iniciado o processo que conduziu à sentença contra Guiomar de Freitas e seu filho Mundos, que era vivo. Em 1527 refere-se que as terras da Corte Chã tinham sido julgadas contra os herdeiros e mulher de Mundos, o que permite concluir que este último já era falecido, e que a sua morte terá ocorrido no período compreendido entre 1524 e 1527, contando ele cerca de 50 anos.
Das referências acima apontadas concluo antes que morreu na ilha Graciosa deixando mulher e herdeiros, o que aponta para a hipótese de não ter tido geração, porque se a tivesse seria natural que as fontes mencionassem antes mulher e filhos.
Embora me pareça depreender do contido nas fontes que terá morrido sem sucessão, não posso afastar, em tese, que possa ter casado no continente com a Maria de Lemos de Faria que os genealogistas lhe dão por mulher, mas não me parece inteiramente seguro que, como alguns destes escrevem, tenha passado a esse mesmo continente e vivido em Sesimbra.
Estes Lemos de Faria da alegada mulher de Mundos, recorrentes nesta linhagem porquanto existem outros Furtado de Mendonça açorianos descendentes do mesmo tronco que terão casado com senhoras que usariam estes apelidos, e inclusivamente alguns abandonaram os apelidos Furtado e Mendonça em favor de Lemos de Faria, podem a título de mera hipótese estar ligados aos Lemos de Faria procedentes de Brites de Lemos mulher de Luís Anes de Faria (Gayo, títº. de Lemos, § 10, n.º 18 e títº. de Faria § 89, n.º 5) em cuja descendência encontro um Gaspar de Lemos de Faria filho Catarina Feio e neto materno de Fernão de Araújo Feio, provedor da Fazenda da ilha Terceira, e de Brites Fernandes de Badilho.
A recente publicação do manuscrito do faialense Francisco Garcia do Rosário (Rosário, 2005), de que Marcelino Lima se terá servido para elaborar o título de Furtado de Mendonça das suas Famílias Faialeses (1922), veio introduzir novas informações, e outras tantas dúvidas a esta problemática. Garcia do Rosário apoia-se em fontes concretas, que cita, para dar início aos Furtado de Mendonça-Lemos de Faria da ilha do Faial num outro Fernão Furtado de Mendonça casado com uma Maria de Faria, casal originário da Beira (continente), e estabelece na geração dos filhos deste último casal a ligação com uma filha de Mundos Furtado de Mendonça.
Tanto quanto me parece não é possível ignorar esta versão, independentemente da necessidade de procurar localizar e efectuar o estudo crítico das fontes em que Rosário se baseou. Segundo este autor o segundo capitão-do-donatário da ilha do Faial, Jorge dUtra, testando em 15 de Março de 1549, instituiu uma capela sob a invocação de Santiago. Uma outra fonte vem precisar a regulamentação sucessória dos administradores da capela de Jorge dUtra. Com efeito, sempre de acordo com Garcia do Rosário, na verba 57 do testamento de um certo capitão Fernão Furtado de Mendonça (outro homónimo, como veremos claramente distinto do povoador da Graciosa e do armigerado de 1519,e que nesta versão é dado como filho do capitão Gaspar de Lemos de Faria e de sua mulher Maria de Boim1; neto paterno do supracitado casal beirão Fernão Furtado de Mendonça e Maria de Faria; neto materno de Mundos Furtado de Mendonça, o qual era filho de Fernão Furtado de Mendonça, fidalgo dos povoadores da ilha Graciosa2 refere-se que Jorge dUtra chamou para administrador da capela de Santiago o licenciado Pedro de Lira (mencionado como avô deste capitão Furtado de Mendonça), estatuindo que esse primeiro administrador, bem como os respectivos sucessores poderiam designar quem bem lhes aprouvesse para a administração da capela em apreço. No quadro desta disposição esse primeiro administrador, o licenciado Pedro de Lira (cuja ligação aos Lira ou aos Boim fica por esclarecer), nomeou para lhe suceder um seu neto, o padre Pedro de Lira, a quem o capitão Furtado de Mendonça chama irmão, embora não figure entre a minuciosa e documentada descendência do casal Gaspar de Lemos de Faria e Maria de Boim, que é dada pelo próprio Garcia do Rosário. Regista-se esta versão, que não perfilho, mas que me confirma a convicção de que subsiste muito por esclarecer no tocante às ligações entre os Furtado de Mendonça da Graciosa e os Furtado de Mendonça do Faial, embora, apesar do sísifo dos homónimos, não levante dúvidas o parentesco entre ambos.
A secundogénita do primeiro casamento de Fernão Furtado de Mendonça, povoador da Graciosa, Paulina Furtado de Mendonça, casou na ilha do Faial, com Fernão Alvernaz, filho de Martim Alvernaz, pertencente aos Alvernaz membros da oligarquia municipal de Lisboa desde o início do século XIV, e de sua mulher Brázia da Câmara, que suponho da ilha de S. Miguel, embora não conste das genealogias consultadas, nem, tanto quanto alcancei, se encontre documentada a não ser na carta de brasão de armas de seu neto Fernão Furtado de Mendonça. Deste casal foi filho primogénito outro Fernão Furtado de Mendonça, da ilha do Faial, a quem foi passada, em 12 de Outubro de 1519, uma carta de brasão de armas idêntica à de seu tio materno Mundos Furtado de Mendonça. Este Fernão, tendo casado com Maria de Lemos de Faria, foi tronco de um dos mais destacados desta família na ilha do Faial desde seu filho Gaspar de Lemos de Faria, o primeiro capitão de infantaria da ilha do Faial. Dos outros filhos deste casal que tiveram descendência procedem, entre outros, os Furtado de Mendonça Lemos de Faria de Angra e S. Sebastião, na ilha Terceira, de que descendia o arcebispo de Goa D. Frei Cristóvão da Silveira, e D. Helena de Boim da Silveira, instituidora com seu marido, o capitão Francisco Gil da Silveira, do convento do Carmo no Faial. Existe geração actual de Fernão Furtado de Mendonça e de sua mulher Maria de Lemos de Faria, da ilha do Faial. Manuel Abranches de Soveral e Manuel Silveira de Mendonça desenvolveram argumentação cronológica e crítica defendendo que os Furtado da ilha das Flores descendem de um terceiro filho de Fernão Furtado de Mendonça e de sua primeira mulher Catarina de Guevara, chamado Manuel Furtado de Mendonça. Este Manuel que é, segundo parece, erroneamente dado como filho de seu tio materno D. João Henriques, numa certidão de Tomás Caetano do Bem, casou nas Flores com Auzenda de Fraga, filha do primeiro capitão-mor das Flores António de Fraga, natural de Braga, e dos primeiros povoadores da ilha, e de sua mulher Isabel Rodrigues. De Manuel Furtado de Mendonça e de sua mulher Auzenda de Fraga descendem, entre outros, os Pimentel Furtado de Mendonça, e deles há geração actual.
O primeiro filho do segundo casamento de Fernão Furtado de Mendonça, povoador da ilha Graciosa, André Furtado de Mendonça, foi capitão na vila de Santa Cruz da Graciosa e proprietário do oficio de tabelião do público judicial e notas da mesma vila, ao qual renunciou em 1568, em favor de seu filho Gaspar Furtado de Mendonça. Casou pela primeira vez com Cenoleza Dornelas, filha de Álvaro Dornelas da Câmara e de sua mulher Maria Vaz Sodré e segunda com Leonor Vaz Sodré, filha do segundo casamento do capitão-mor António Vaz Sodré com Ana Nunes de Quadros, tendo morrido em Santa Cruz da Graciosa em 14 de Março de 1587. De André Furtado de Mendonça ficou descendência de ambos os casamentos. De início ligada à nobreza graciosence e, mais tarde, disseminada por todos os estamentos da Graciosa e ilhas adjacentes. A primeira filha do segundo casamento de Fernão Furtado de Mendonça, Catarina de Mendonça, casou na Graciosa com João Moreno, o moço, filho de outro João Moreno, cavaleiro da casa real, instituidor da ermida do Bom Sucesso, na Graciosa, e de sua mulher, Maria Freire. Este último João Moreno, que testou na Graciosa em 1536, era filho de um primeiro João Moreno, casado com Maria Rodrigues, residentes em Valezim, na Beira Alta. Deixaram geração até à actualidade. A segunda filha do segundo casamento de Fernão Furtado de Mendonça povoador da Graciosa, Guiomar de Freitas, casou nessa ilha com Gaspar Fernandes do Campo e deixaram geração que também perdurou até à actualidade.
Um segundo ramo desta família que também se fixou nos Açores descende de Pedro Furtado de Mendonça que os genealogistas dão como igualmente procedente da ilha da Madeira e tendo casado na ilha de S. Miguel com Maria de Arruda.
Ignoro se deixou descendência nesta ilha mas é opinião aceite que um filho seu, Manuel Furtado de Mendonça, residiu na ilha Terceira onde casou com Cecília Serrão da Costa, filha segunda de Pedro Serrão da Costa, secretário do bispo de Angra (D. Agostinho Ribeiro, 1534-1540). O primeiro filho deste casal, Jorge Furtado de Mendonça, casou com Isabel da Cunha e Vasconcelos, filha de Luís Mendes de Vasconcelos e de sua mulher Grimaneza de Vasconcelos, e deixaram descendência na ilha Graciosa, parte da qual passou ao Brasil. Um segundo filho, Pedro da Costa e Mendonça, casou na ilha Terceira com Maria Lourenço de Sousa e tiveram geração. Um terceiro filho, Fernão Furtado de Mendonça, terá casado na ilha do Pico com F...Cardoso Homem, s.m.n. A primeira filha deste casal, Maria de Mendonça, foi segunda mulher de Gonçalo Eanes de Barcelos Machado, que testou nas Lajes da Terceira em 1543, e deles descendem seguramente os Machado de Mendonça da ilha Terceira e possivelmente os Furtado de Mendonça Mendes de Vasconcelos da vila do Topo na ilha de S. Jorge, que têm como tronco Pedro Mendes de Vasconcelos e sua mulher Maria Cerveira. A segunda filha do casal em apreço, Bárbara de Mendonça, casou com Diogo de Barcelos Machado, filho de Afonso de Barcelos Machado e de sua mulher Ana Lopes Cabaço, e tiveram descendência. Finalmente, Pedro Furtado de Mendonça casou pela primeira vez com Filipa de Andrade e segunda com Antónia Gomes Valadão, com filhos de ambos os casamentos, sendo que do segundo descendiam os morgados da Fajã da Graciosa. Os Furtado da ilha de S. Miguel descendem de Martim Anes Furtado de Sousa, natural da ilha da Madeira, onde poderá ter nascido ao redor da década de cinquenta do século XV, e falecido em S. Miguel antes de 28 de Setembro de 1507. Este Martim Anes e sua mulher, Solanda Lopes (mencionada no testamento de D. Maria de Bettencourt, mulher do capitão Rui Gonçalves da Câmara, em 1493) venderam, em 6 de Setembro de 1495, um chão em Vila Franca do Campo. Este casal teve uma filha, Filipa Martins Furtado que casou com Antão Pacheco, natural do Algarve, terceiro ouvidor do capitão-do-donatário e proprietário de terras junto às Capelas, em S. Miguel, onde morreu em 1522. De Filipa Martins Furtado foi filho Pedro Pacheco de Sousa, fidalgo da Casa Real, em 22 de Maio de 1535, que testou em 1563 instituindo um vínculo com sua mulher Guiomar Nunes Botelho (era tio de João Pacheco, morador em Monchique, a quem foi passada carta de brasão de armas em 1607). Este casal foi sepultado na capela do Rosário, em Vila Franca do Campo, onde mandaram fazer uma campa com as suas armas, e deixou geração que não seguiu o apelido Furtado. Da mesma Filipa Martins Furtado foi filha Inês Martins (Furtado), mulher de Afonso Anes Columbreiro, pais de Solanda Lopes, que casou com Afonso de Oliveira e testou em 1598, com geração. Manuel Lamas
1 De acordo com Garcia do Rosário Maria de Boim morreu, com testamento, em 1627. Cronologia incomodamente longa para alguém cujo pai teria falecido cerca de 100 anos antes
2 Marcelino Lima, embora a mencione como Maria de Boim (da Silveira), omite esta referência à mulher do capitão Gaspar de Lemos de Faria como filha do graciosence Mundos Furtado de Mendonça.
Bibl. Frutuoso, G. (1978), Saudades da Terra. Livro Sexto, Ponta Delgada, Instituto Cultural de Ponta Delgada. Gil, M. O. R. (1987), Negócios de Bartolomeu Dias Couceiro na Ilha Graciosa (2.ª metade do séc. XVI), in Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, XLV, tomo II: 745-838. Noronha, H. H., Nobiliário genealógico das famílias q passaram a viver à Ilha da Madeira desde o tempo do seu descobrimento q foi no anno de 1420. Funchal, Câmara Municipal do Funchal, reedição de 1947. Rosário, F. G. (2005 [1849]), Memória Genealógica das Famílias Faialenses. Angra do Heroísmo, Instituto Açoriano de Cultura. Soveral, M. A.; Mendonça, M. S. (2004), Os Furtado de Mendonça Portugueses, ensaio sobre a sua verdadeira origem. Porto, MASmedia.
