memória

Por este nome é conhecido o primeiro monumento erigido em Portugal a D. Pedro IV. Logo após a sua morte, foi lançada na Câmara dos Pares uma proposta para se erguer um monumento que perpetuasse a memória e os feitos do monarca. No ano seguinte, um projecto idêntico foi lançado em Angra do Heroísmo, tendo em conta o papel da ilha Terceira nas lutas liberais e a presença de D. Pedro na mesma ilha. Foram recolhidos donativos e elaborados vários projectos. Com recursos escassos, a obra foi sendo adiada, acabando por resultar numa simples pirâmide de pedra. Só em 1844 se lançou mãos à obra preparando o terreno situado no local do antigo Castelo dos Moinhos. A cerimónia do lançamento da primeira pedra ocorreu no dia 3 de Março de 1845, aniversário da chegada de D. Pedro à ilha. Esta era uma das datas festivas comemoradas pelos liberais e a cerimónia foi bastante concorrida. Simbolicamente, foi escolhida a primeira pedra que o monarca pisou ao chegar a Angra para lançar os alicerces. Dentro de um cofre foram colocadas moedas, medalhas e um pergaminho com inscrições de gratidão ao monarca. Ficou concluído em Junho de 1856, mas os trabalhos de ordenamento dos espaços circundantes só se iniciaram em1862 e a inauguração oficial nunca foi feita.

Situado no local mais elevado da cidade e sobranceiro a ela, foi colocado sobre um supedâneo de três degraus, com a forma de uma pirâmide quadrangular: o lado do quadrado da base tem 6,83 metros e a altura é de 21,76 metros. Em cada uma das faces, tem uma elipse de mármore, com inscrições em letras pretas. A do lado Norte: «A Ilha Terceira»; a do Sul: «A D. Pedro»; a do Nascente: «Nasceu em 12 de Outubro de 1798»; a do Poente: «Morreu em 24 de Setembro de 1834». O monumento está inserido numa praça quadrangular, com 32 metros de lado, cercada por um parapeito com assentos de 90 cm de altura. Dá acesso ao Jardim Duque da Terceira, através de um patim com duas escadas laterais, e outra escadaria liga-o ao antigo largo D. Pedro IV.

Ao longo dos anos, o monumento sofreu dois grandes rombos: um, a 6 de Fevereiro de 1912, quando foi atingido por um raio; o outro ocorreu com o sismo do dia 1 de Janeiro de 1980, ficando restaurado em 25 de Abril de 1985. O monumento acabou por se transformar no ex-libris da cidade, com um magnífico miradouro, e o mais significativo testemunho do período liberal. Carlos Enes

Bibl. Enes, C. (2001), A Memória Liberal na Ilha Terceira. Lisboa, Edições Salamandra: 103-111.