melro-preto

Nome vulgar da espécie de ave Turdus merula azorensis (Muscicapidae) (Agostinho, 1935; Bannerman e Bannerman, 1966; Martins et al., 2002; Sampaio, 1904), também conhecida por melro-negro (Bernardo, e Montenegro, 2003; Martins et al., 2002; Serviço Nacional de Parques, Reservas e Conservação da Natureza, 1990) ou apenas por melro (Hartert e Ogilvie-Grant, 1905).

A subespécie açoriana distingue-se da espécie nominal europeia pela sua coloração mais escura. Os machos são totalmente em preto, brilhante, à excepção do bico e do bordo do olho que se destacam pela sua tonalidade amarelo-alaranjado. As fêmeas distinguem-se dos machos pela cor castanha-escura, o peito mais claro e com algumas manchas, e o bico acastanhado. No primeiro ano de vida, a diferença entre os sexos não é clara. Os machos apresentam, como as fêmeas, plumagem acastanhada e bico castanho (Martins et al., 2002).

Tem uma dieta diversificada alimentando-se de frutos e de pequenos invertebrados (insectos, aranhas, minhocas, caracóis e lesmas).

Nidifica em árvores, arbustos, cavidades de rochas, muros e saliências de edifícios. O ninho, em forma de taça, com diâmetro superior a 20 cm, é construído pela fêmea, ajudada pelo macho, com folhas secas, pequenos caules e musgo, mas a cavidade interior, com cerca de 10 cm de diâmetro, é forrada com ervas macias (Chavigny e Mayaud, 1932; Martins et al., 2002).

Os ovos com dimensões que podem variar entre 27,3 mm x 19,9 mm e 33,3 x 22,1 mm (Chavigny e Mayaud, 1932) são de tonalidade azul-esverdeado e apresentam manchas avermelhadas dispersas uniformemente (Chavigny e Mayaud, 1932; Martins et al., 2002).

As posturas, duas a três, de três a cinco ovos cada, é feita entre Março e Junho (Chavigny e Mayaud, 1932). A fêmea incuba os ovos durante 12 a 17 dias, até à eclosão. As crias são cuidadas por ambos os progenitores durante 12 a 20 dias, competindo à fêmea a sua defesa, perseguindo os intrusos com sons estridentes (Martins et al., 2002).

É considerada entre as aves com belo canto por possuir vasto repertório de longas frases que varia entre os indivíduos. Pela sua robustez, é capaz de levantar voo tanto no solo como no meio da vegetação e de fazer um voo directo e poderoso. Pode ser encontrada em florestas, em matas e em ambientes humanizados como pomares e até jardins e parques urbanos de todas as ilhas desde o nível do mar até às altitudes maiores onde ocorrerem coberturas vegetais apropriadas (Hartert e Ogilvie-Grant, 1905; Martins et al., 2002), sendo considerado abundante e a sua conservação não ameaçada (Serviço Nacional de Parques, Reservas e Conservação da Natureza, 1990). Luís M. Arruda

Bibl. Agostinho, J. (1935), Ornitologia açoreana, Açoreana, 1, 2: 113-133. Bannerman, D. A. e Bannerman, W. M. (1966), Birds of the Atlantic Islands, vol. 3: A History of the Birds of Azores. Edimburgo e Londres, Oliver & Boyd. Bernardo, M. C. R. e Montenegro, H. M. (2003), O falar micaelense. S.l., João Azevedo Editor. Chavigny, J. e Mayaud, N. (1932), Sur l’avifaune des Açores. Généralités et Etude contributive. Alauda (2), 3: 304-348. Hartert, E. e Ogilvie-Grant, W. R. (1905), On the Birds of the Azores. Novitates Zoologicae, 12: 80-128. Martins, R., Rodrigues, A. e Cunha, R. (2002), Aves nativas dos Açores. Mirandela, João Azevedo Editor. Sampaio, A. S. (1904), Memória sobre a ilha Terceira. Peixes. Angra do Heroísmo, Imp. Municipal. Serviço Nacional de Parques, Reservas e Conservação da Natureza (1990), Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal, vol. I: Mamíferos, Aves, Répteis e Anfíbios. Lisboa, SNPRCN.