Melo, Miguel António de (D.) [M. A. de M. Abreu Soares de Brito Barbosa Guedes] (1.o conde de Murça)
[N. ?, 25.12.1736 m. ?, 7.8.1836] Capitão-general, 1806-1810. Moço-fidalgo e comendador de Santa Maria de Freixes, foi sócio honorário da Academia Real das Ciências e, entre 1796 e 1800 desempenhou o cargo de governador de Angola. Antes de ser nomeado capitão-general dos Açores em 1806, foi ainda governador de Pernambuco.
D. Miguel António de Melo desempenhou o cargo de capitão-general dos Açores numa época particularmente conturbada, uma vez que o período do seu mandato coincide com as invasões francesas, a fixação da corte portuguesa no Brasil e as alterações profundas ocorridas no relacionamento entre as instâncias insulares no quadro de uma nova configuração que resultava da situação política. De facto, a relação distante e ineficaz que teve de manter com os secretários da Marinha e Negócios Ultramarinos na corte do Rio de Janeiro (visconde de Anadia e conde das Galveias), a par da indefinição relativa à jurisdição dos governadores do reino quanto às ilhas, a que veio juntar-se a pressão dos militares britânicos e as ingerências dos cônsules nas ilhas, tornaram complexo e difícil o exercício do cargo para que foi nomeado por patente de 24 de Março de 1806.
Talvez devido a esta conjuntura de contornos complexos, e ainda que não deva perder-se de vista a sua vasta experiência na administração régia, o desempenho de D. Miguel António de Melo como magistrado supremo no governo dos Açores, terá alcançado invulgar mérito. Teve de enfrentar, em circunstâncias muito difíceis e de enorme escassez de meios, a questão da defesa do arquipélago; de dar resposta adequada ao bloqueio ao porto de Lisboa após a primeira invasão sob o comando de Junot em 1807 com as repercussões económicas resultantes dessa situação, nomeadamente no trato normal com o reino; coube-lhe gerir a melindrosa questão envolvendo a transferência dos recursos da Fazenda dos Açores para amortização da dívida contraída pela corte em Londres no ano de 1809 e, por fim, teve de lidar com a intriga local movida, principalmente, por Diogo Alton, vice-cônsul inglês em Angra o qual, através das instâncias militares inglesas, criou as condições para o afastamento de D. Miguel António de Melo. Afinal, o preço a pagar para satisfação das exigências da arrogante e abusiva intromissão britânica a quem o regente D. João manifestava, deste modo, subserviente anuência.
Em qualquer caso este episódio não marcaria o fim do percurso de D. Miguel António de Melo ao serviço da monarquia de Portugal. D. João VI nomeá-lo-ia em 1823 para uma comissão de estudo de um projecto de constituição. Em 1826, depois de ter exercido o cargo de Ministro da Fazenda, D. João VI fez dele Par do Reino. Ricardo M. Madruga da Costa
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