Melo, Martim Afonso

 [N. ?, ? – m. Angra, 5.12.1693] Filho de Pantalião de Sá, senhor da Casa da Amoreira e comendador de Castelães, pertencia à nobreza e estava aparentado com muitas casas titulares. Na juventude serviu nas guerras da Restauração, no Alentejo, com o conde de S. Lourenço, seu parente. Em 1658 participou nas principais batalhas dessa guerra, linhas de Elvas e do Amexial. Serviu também na Beira com o general Pedro Jaques Magalhães ocupando o posto de tenente capitão da guarda da tropa do general, onde se distinguiu. Esteve ainda na batalha de Castelo Rodrigo e na batalha de Montes Claros, em 1665, quando já era capitão de cavalos. Em 1667 socorreu o Minho e no ano seguinte andou embarcado na armada da costa.

Quando D. *Afonso VI desterrado, foi mandado para o exílio no Castelo de Angra, em 1669, Martim Afonso de Melo acompanhou-o como estribeiro-mor, cargo que exerceu até à retirada do rei, em 1674. Nesta época ajustou o seu casamento com a filha e herdeira do general Sebastião Correia de *Lorvela, então governador de Castelo, D. Catarina Caixa com quem efectivamente casou por procuração por entretanto ter acompanhado D. Afonso VI no regresso a Lisboa. Em 1675 ainda andou embarcado na armada que foi em socorro de Orão.

Foi nomeado, com base na sua folha de serviços, governador do castelo de S. João Baptista, por carta de 20 de Janeiro de 1682, tomando posse em 5 de Julho desse ano. O seu governo decorreu agitado e pela narrativa de Maldonado, que o conheceu bem e o elogia como muito defensor dos seus soldados até na prontidão dos pagamentos, ficamos sabendo que era pouco avisado nas suas decisões o que lhe custou o desamparo de seus parentes na Corte e o ter caído em desgraça o que levou à sua substituição no governo do Castelo, em 23 de Junho de 1687, quando o seu sucessor, Alexandre de Sousa *Azevedo tomou posse.

Retirou-se então para a sua quinta de Vale de Linhares onde foi acometido de doença grave que o inutilizou até à morte. J. G. Reis Leite

Bibl. Maldonado, M. L. (1990), Fenix Angrence. Angra do Heroísmo, Instituto Histórico da Ilha Terceira, II: 575-583.