Melo, António Francisco Chaves e

[N. Ponta Delgada, 1769 – m. ibidem, 15.9.1825] Filho mais novo, quarto na sucessão dos vínculos, do capitão Francisco Afonso de Chaves e Melo (1723-1781), chefe de uma das mais notáveis famílias da aristocracia micaelense, nunca se conformou com a impossibilidade de ter acesso a parte dos bens dos seus antepassados.

Em 1802, quando casou em segundas núpcias desta, com a morgada D. Maria Teresa Jácome Correia é designado por tenente da tropa de linha, mas não se conhece a sua carreira militar, se a teve. Aderiu à revolta de 1 de Março de 1821, promovida em Ponta Delgada a favor do levantamento liberal do ano anterior e das Cortes Constituintes. Nessa altura assumiu o comando do regimento de milícias da cidade e foi equiparado ao posto de coronel, sendo eleito presidente da Junta Governativa de S. Miguel.

A revolta de Março, em S. Miguel, tinha como fim principal a emancipação política e administrativa da ilha e consequentemente acabar com a Capitania-Geral dos Açores. Os deputados eleitos às Cortes Constituintes levaram a bom termo este desiderato em 1822 mas logo de seguida, com a Vilafrancada, em 1823, D. João VI reassume os direitos majestáticos, revoga as leis da Corte e faz ressurgir a Capitania-Geral. Os chefes micaelenses pareceram conformados com a nova situação e como quase todos eles, também António Francisco Chaves e Melo, assinou na Câmara de Ponta Delgada, o auto de aclamação de D. João VI, em 26 de Junho de 1823, certamente louvando-se na promessa real de outorgar uma Carta Constitucional.

Paralelamente foi ele, se não o instigador, pelo menos o mais entusiasta apoiante da proposta feita pelo deputado micaelense João Bento de Medeiros *Mântua de abolição dos vínculos nos Açores. José Guilherme Reis Leite

Bibl. Correia, A. J. (1921), História Documental da Revolução de 1821 na ilha de S. Miguel in Revista Micaelense, Ponta Delgada, ano IV: 907-1000. Riley, C. G. (2006), Os antigos modernos. O liberalismo nos Açores: uma abordagem geracional. Ponta Delgada, Universidade dos Açores: 262, 280-283, 315-316, 331-332 e 339 [policopiado].