Medeiros, José Lourenço de (pe.)

 [N. Cabo Branco, Madalena, ilha do Pico, 16.6.1836 – m. ibid., 16.3.1914] Em 1875 foi colocado na igreja Matriz da Madalena e aí permaneceu até morrer. Ainda naquele ano foi nomeado ouvidor do concelho. O actual frontispício da Matriz da Madalena foi erigido por sua iniciativa e com o seu patrocínio, concluído em 1891.

Era proprietário abastado, na vila da Madalena, nas localidades do Cabo Branco (Cabeço do Padre), da Barca (vinha dos frades franciscanos) e no Caminho da Canada (Quinta dos Castanheiros). Foi armador da frota de barcos que navegava no Canal Faial-Pico. Deixou espólio em móveis, cristais e porcelana, baixela de prata, livraria e colecção de instrumentos musicais antigos.

Em prédio contíguo à sua residência, mandou edificar uma estufa para ensaiar a cultura de ananases (1902). Mandou experimentar e iniciou a prática da sulfatagem das figueiras nas suas propriedades (1907). Em 1904, quando foi constituída a *Caixa Económica Picoense, com sede na Madalena, encabeçou o elenco directivo e continuou a integrar os seus corpos sociais por muitos anos.

Foi chefe do Partido Progressista local, presidente da Junta da Paróquia (1893-1900), mas a ela sempre pertenceu noutros cargos, e da Câmara Municipal da Madalena (1905-1907).

Na vila da Madalena, a antiga rua do Mar tem o nome rua do Ouvidor Lourenço de Medeiros, desde 1899. No adro da igreja Matriz da Madalena, um busto também evoca a sua memória. Luís M. Arruda

Bibl. Duarte, T. (2000), A Matriz da Madalena e três dos seus padres. Madalena, Câmara Municipal da Madalena.