Medeiros, José Francisco de
[N. Matriz, Horta, 14.9.1782 m. Matriz, Horta, 28.12.1875] Desembargador. Segundo de nome, filho primogénito, destinado pelo pai à carreira eclesiástica, com 20 anos de idade e sem vocação, pediu para estudar na Universidade de Coimbra, onde se tornou bacharel em Direito (1810). Regressado ao Faial, resolvido a seguir a magistratura, foi ao Rio de Janeiro apresentar-se a D. João VI que o despachou juiz de fora para a ilha do Pico (1813-1819).
Proclamada a Constituição de 1820, no ano seguinte integrou, como secretário, a Junta Governativa que tomou conta da administração da comarca e, nessa qualidade, elaborou relatórios e representações sobre as necessidades e melhoramentos da ilha do Faial que enviou ao congresso. Desentendimentos com o presidente da Junta levaram-no a pedir a demissão. Partiu para Lisboa de onde foi despachado juiz de fora para Ponta Delgada (1822).
Restabelecido o governo absoluto em Portugal, foi obrigado a exilar-se em Inglaterra de onde haveria de partir, mais tarde, para a ilha Terceira, depois de informado do estabelecimento do governo constitucional no arquipélago açoriano. Não tendo alcançado o lugar de juiz que pretendia, voltou ao Faial onde se dedicou ao comércio, particularmente da laranja, associado a seu irmão João, estabelecido em Londres. Entretanto foi eleito vereador da Câmara Municipal, procurador à Junta Geral, conselheiro do distrito e presidente da comissão administrativa dos bens dos defuntos e ausentes.
O insucesso comercial fê-lo voltar à magistratura. Foi procurador régio nas ilhas de S. Jorge (1843-1846) e do Pico (1846-1856) e juiz de direito na ilha de Santa Maria (1856-1858) e na comarca da Ribeira Grande (1858-1861). Foi aposentado como juiz de Relação. Luís M. Arruda
Fonte. Biblioteca Pública e Arquivo Regional da Horta, Registo de óbitos, Matriz da Horta, Liv. 12, assento n.º 73 de 1875.
Bibl. Macedo, A. L. S. (1959), Desembargador José Francisco de Medeiros In Fayalenses distinctos, Boletim do Núcleo Cultural da Horta, 2, 1: 90-93.
