Maurício António Fraga & C.ª Lda.

Comércio geral, fábrica de lacticínios, fábrica de extracção de óleos de baleia, armação baleeira e fábrica de conservas de peixe: a Maurício António (de) Fraga & C.ª Lda. de Lajes das Flores foi uma das principais empresas do Grupo Ocidental dos Açores no século XX.

A florescente casa Fraga & Fraga era de João Maurício de Fraga e seus filhos, com Maurício António em destaque: administrador do concelho das Lajes em 1915, ocupou o mesmo cargo uma década mais tarde. Em 1919, no auge da fundação dos Sindicatos Agrícolas, a empresa de Maurício Fraga e de seu pai desferiu um excelente golpe comercial, assegurando a produção leiteira do Corvo; a exclusividade do transporte da mala postal àquela ilha permitia contactos regulares com os corvinos. Em 1920, surgiu a Maurício António de Fraga & C.ª, denominação que se manteve quase inalterada até à extinção da sociedade. Um sócio era José Maria Raposo, já empregado da Fraga & Fraga: entrou com J. Germano de Deus, mas este último saiu pouco depois. A Hospedaria de João Maurício de Fraga foi inaugurada em 1928, nos primórdios do turismo nas Flores e, com o apoio da Singer, a firma ofereceu cursos gratuitos de bordados em 1935, mas produção e exportação de manteiga norteavam os interesses da casa. José Maria Raposo foi Presidente da Câmara das Lajes em 1941 e Maurício António perdeu o de (Fraga) em 1946, quando nasceu a nova Maurício António Fraga & Comp.ª Lda., de Maurício António Fraga, José Maria Raposo, Afonso Rodrigues Duarte e Santos Rodrigues & C.ª Lda., de Lisboa. Novo sócio florense da firma era Afonso Duarte, influente comerciante das Lajes, com prósperas mercearias na Fajãzinha e Fajã Grande, onde arrendou a ampla loja da casa em frente à sua, hoje Casa Argonauta. O sócio lisboeta, com fábrica de lacticínios em S. Miguel, de conservas de peixe em S. Jorge e casa de consignações em Lisboa, tinha em vista ajudar a escoar a produção, mas assim não aconteceu. Objectivos da nova firma eram de comércio geral, armação baleeira e 3 fábricas, de lacticínios, de extracção de óleos de baleia e de conservas de peixe, sem dúvida, a mais poderosa realidade económica do território lajense. Laurentino Vieira, figura de primeiro plano nas décadas a seguir, entrou no escritório com a viragem de 1946 e em 1952 foram cedidas quotas, aumentado o capital e admitidos novos sócios. A decepcionante Santos Rodrigues & C. Lda. foi despedida e entrou mais capital florense, o de António Caetano de Serpa de Santa Cruz, que punha à disposição dos lajenses um entreposto em Lisboa. A aliança insular entre industriais parecia abrir perspectivas no sector da manteiga, amparando eventuais deslizes face à agressividade dos continentais da Martins & Rebello. Nada houve a fazer. O fim da laboração de leite e lacticínios deu-se em 1964, quando a Maurício António Fraga & C.ª Lda. vendeu o seu posto na Fazenda das Lajes à Martins & Rebello. Três anos volvidos, os mesmos outorgantes realizaram outra compra e venda, casas e utensílios manteigueiros de Lajedo e Costa passaram de mão, da firma lajense à Martins & Rebello; o posto do leite da Lomba e o da Vila ficaram desertos. Com 5 postos de recolha e desnatação, a produção de manteiga da Maurício António Fraga & C.ª chegou a atingir quase 20 tons. por ano. António Caetano de Serpa, cujo leite também era adquirido pela Martins & Rebello, voltou para Santa Cruz e, em 1965, faleceu o fiel José Maria Raposo, após meio século de trabalho em nome dos Fraga. As cotas desses sócios foram repartidas entre Laurentino Vieira, os três filhos de Afonso Duarte e Armando Lourenço, cada um com 5% do capital. José Maria Raposo fora também presidente, desde 1960, da União das Armações Baleeiras das Flores e Corvo, Lda., fundada em 1955. Últimos gerentes da antiga casa de Lajes das Flores foram Laurentino Noia Gonçalves Vieira e Afonso Duarte. Desistindo da baleação, em 1959, e dos lacticínios, em meados de sessenta, a firma Fraga desejou Boas Festas à clientela pela última vez no Natal 1983 e extinguiu-se, adquirida em 1984 por Luís Gregório de Freitas, um dos principais comerciantes do actual microcosmo lajense. A dissolução formal da Maurício António Fraga & C.ª Lda. deu-se em 1988. Pierluigi Bragaglia

Bibl. Bragaglia, P. (1997), História dos Lacticínios da Ilha das Flores – Perfil Histórico do Pioneirismo Associativo da Ilha das Flores e da Produção e Exportação dos seus Lacticínios no Séc. XX. Lajes das Flores, Câmara Municipal de Lajes das Flores: 122-128. Jornal-Rádio (1917), Santa Cruz das Flores, 3 de Maio. As Flores (1946), Santa Cruz das Flores, 23 de Fevereiro.