marroio

Nome pelo qual são conhecidas as plantas da família das Lamiáceas (Dicotiledónea) pertencentes à espécie Marrubium vulgare, também conhecidas por marrolho (Bernardo e Montenegro, 2003; Costa, 1947; Lopes Jr., 1959; Palhinha, 1966) e marroio-branco (Corsépius, 1997; Palhinha, 1966).

Segundo Franco (1984: 149), é um proto-criptófito fétido, de caules com 30 a 80 cm, branco-lanosos, erectos e ramosos; folhas com 10 a 55 por 10 a 35 mm, orbiculares a largamente ovadas, subcordiformes ou arredondadas na base, funda e irregularmente crenadas, tumentosas a subglabras na página superior, branco-lanosas na inferior ou raramente tomentoso-esverdeadas; pecíolos da folha inferiores maiores do que o limbo; verticilastros globosos, multifloros, distantes; bractéolas assoveladas, plumoso-vilosas; tubo do cálice com 3-4 mm, obsoletamente 10-estriado, estelado-viloso, com 10 dentes menores do que a corola, patentes, mucinado-recurvados no ápice, vilosos em baixo e glabros em cima; corola com 4 a 6 mm, branca.

Originária das Canárias, Europa, Ásia ocidental e central e África boreal (Palhinha, 1966), ocorre em todas as ilhas açorianas, excepto na do Corvo (Silva et al., 2005), para onde foi registada por Drouët (1866), em terrenos incultos, entulhos e nas bermas das estradas.

Era chamada «chá de marroio» qualquer poção que algumas mulheres diziam dar aos homens de quem gostavam para que estes retribuíssem o afecto (Costa, 1947).

Luís M. Arruda

 

Bibl. Bernardo, M. C. R. e Montenegro, H. M. (2003), O falar micaelense. Fonética e léxico. S.l., João Azevedo Editor. Corsépius, Y. (1997), Algumas Plantas Medicinais dos Açores. 2.ª ed., s.l., s.e. Costa, C. (1947), Terminologia agrícola michaelense. Boletim da Comissão Reguladora dos Cereais do Arquipélago dos Açores, 6: 91-98. Drouët, H. (1866), Catalogue de la flore des îles Açores. Paris, Baillière et Fils.. Franco, J. A. (1984), Nova Flora de Portugal (Continente e Açores), vol. II: Clethraceae-Compositae. Lisboa, Astória. Lopes Jr., F. (1959), Vocabulário regional terceirense, Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, 17: 1-75. Palhinha, R. T. (1966), Catálogo das plantas vasculares dos Açores. Lisboa, Sociedade de Estudos Açorianos Afonso Chaves. Silva, L., Pinto, N., Press, B., Rumsey, F., Carine, M., Henderson, S. e Sjögren, E. (2005), Lista das plantas vasculares (Pteridophyta e Spermatophyta). In Borges, P. A. V., Cunha, R., Gabriel, R., Martins, A. F., Silva, L. e Vieira, V. (eds.), A list of terrestrial fauna (Mollusca and Arthropoda) and flora (Bryophyta and Spermatophyta) from the Azores. Horta, Angra do Heroísmo e Ponta Delgada, Direcção Regional do Ambiente e Universidade dos Açores: 131-155.