marracho
Que também aparece grafado marraxo (Lopes Jr., 1959; Ribeiro, 1982), merracho [mè] (Barcelos, 2001) ou melracho são nomes dados aos peixes, tubarões, das espécies (a) Isurus oxyrinchus (Lamnidae), segundo Santos et al. (1997), Collins (1954) (como Lamna oxyrrinchus) e Sampaio (1904) (como L. spalanzanii); (b) Lamna nasus (Lamnidae), segundo Santos et al. (1997) e Martins (1981); e (c) Carcharhinus longimanus (Carcharhinidae), segundo Santos et al. (1997) e Collins (1954). A espécie I. oxyrinchus também é conhecida por rinquim, segundo Santos et al. (1997).
Segundo Quéro (1984), os indivíduos da espécie Isurus oxyrinchus têm o corpo fusiforme, tronco fino; focinho muito agudo; dentes muito finos, com cúspides laterais de bordos lisos, semelhantes em ambas as maxilas, os dois primeiros em cada maxila muito maiores do que os outros, curvados na base mas curvados inversamente na extremidade. Primeira barbatana dorsal com o vértice acentuadamente agudo nos adultos, mas abruptamente arredondado nos jovens; barbatanas peitorais, mais curtas do que a cabeça, falcadas; origem da barbatana anal abaixo cerca do meio da base da segunda barbatana dorsal. Quilha caudal estendendo-se bem sobre a barbatana caudal. Cor azul-cinzento escuro a azul por cima, branco no ventre, com transição brusca; focinho e área à volta da boca escura. Comprimento até pelo menos 4 m, geralmente 3 a 3,7 m.
Pelágico, costeiro e oceânico, ocorrendo à superfície ou próximo ou baixo até pelo menos 400 m de profundidade. Alimenta-se principalmente de peixes pelágicos, voraz. Ovovivíparo; o comprimento dos jovens quando nascem varia entre 60 cm e 70 cm.
Cosmopolita em águas temperadas e tropicais ocorre nos oceanos Atlântico, Pacífico e Índico. Foi registado para os Açores por Hilgendorf (1888), como L. spalanzanii.
Os indivíduos da espécie Lamna nasus têm o corpo fusiforme, tronco robusto; focinho cónico, pontiagudo com a maxila superior ligeiramente proeminente; dentes com bordos lisos, em forma de sovela, com cúspides basais laterais, os dois primeiros dentes em cada maxila de forma semelhante àqueles que lhes sucedem, o terceiro superior mais pequeno do que o segundo ou quarto, o terceiro dente inferior aproximadamente igual ao quarto. Origem da primeira barbatana dorsal acima ou anterior ao ângulo mais interior das barbatanas peitorais; origem da segunda barbatana dorsal sobre a origem da anal. Pedúnculo caudal muito fortemente achatado e bastante expandido lateralmente; uma quilha longitudinal secundária, menos distinta, abaixo da quilha principal sobre o pedúnculo caudal. Cor azul escuro ou cinzento azulado por cima, branco ou creme pálido sobre os flancos e ventre; metade ou terço exterior das barbatanas peitorais de cor parda; anal branca ou ligeiramente parda. Comprimento até 3 m (possivelmente até 3,7 m), geralmente 2,6 m para os machos e 2,2 m para as fêmeas.
Epipelágico, costeiro e oceânico, ocorre principalmente entre 200 m e 700 m de profundidade, mas também à superfície ou próximo dela; muito comum. Alimenta-se de uma grande diversidade de peixes pelágicos e demersais. Ovovivíparos, os jovens são poucos (até 4) de tamanho à nascença variando entre 50 cm e 75 cm.
Ocorre, principalmente, em águas temperadas do hemisfério sul, em todos os oceanos. Foi registado para os Açores por Martins (1981).
Segundo Branstetter (1984), os indivíduos da espécie Carcharhinus longimanus têm focinho curto e redondo, dentes serrilhados, os superiores francamente triangulares, direitos anteriormente, oblíquos posteriormente, os inferiores com cúspides bem desenvolvidas, direitas, de bases lisas. Primeira barbatana dorsal bem desenvolvida, de vértice redondo; barbatanas peitorais longas, de vértice redondo; crista inter-dorsal presente; lobo inferior da caudal algo redondo. Cor cinza-bronze dorsalmente, branco ventralmente; extremidades da primeira dorsal (nalguns), peitorais, e parte inferior da caudal com extremidades brancas. Comprimento até 350 cm, geralmente menos do que 270 cm.
Epipelágico ocorre em águas oceânicas abertas para além da plataforma continental; nadador relativamente lento, é capaz de fazer movimentos rápidos. Alimenta-se de peixes, lulas e caranguejos. Vivíparos, nascem 6 a 9 embriões com 75 cm de comprimento.
Ocorre em todos os mares quentes. Foi registado para os Açores por Collins (1954) baseado no registo de Carcharias lamia por Ferreira (1939).
Luís M. Arruda
Bibl. Barcelos, J. (2001), Falas da ilha das Flores, Vocabulário regional. S.l., ed. do autor. Branstetter, S. (1984), Carcharhinidae, In Whitehead, P. J. P., Bauchot, M.-L., Hureau, J.-C., Nielsen, J. e Tortonese, E. (eds.), Fishes of the North-eastern Atlantic and the Mediterranean. Paris, UNESCO: 102-114. Collins, B. L. (1954), Lista de peixes dos mares dos Açores. Açoreana, 5, 2: 103-142. Ferreira, E. (1939), Seláceos dos Açores. Açoreana, 2, 2: 79-97. Hilgendorf, F. M. (1888), Die Fische der Azoren In Simroth, H. (ed.), Zur Kenntniss der Azorenfauna. Archiv für Naturgeschichte, 1, 3: 179-234. Lopes Jr., F. (1959), Vocabulário regional terceirense, Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, 17: 1-75. Martins, H. R. (1981), Nomenclatura de peixes de valor comercial dos Açores. Açoreana, 6, 2: 127-129. Quéro, J.-C. (1984), Lamnidae, In Whitehead, P. J. P., Bauchot, M.-L., Hureau, J.-C., Nielsen, J. e Tortonese, E. (eds.), Fishes of the North-eastern Atlantic and the Mediterranean. Paris, UNESCO: 83-88. Ribeiro, L. S. (1982), Linguagem popular da ilha Terceira, in Obras - I Etnografia açoriana. Angra do Heroísmo, Instituto Histórico da Ilha Terceira, Secretaria Regional da Educação e Cultura: 45-70. Sampaio, A. S. (1904), Memória sobre a Ilha Terceira. Angra do Heroísmo, Imp. Municipal.
