Manadas (freguesia)
Heráldica Por despacho da Comissão de Heráldica foram aprovadas as suas armas pelo Diário da República, III série de 5 de Fevereiro de 2004. Brasão: escudo de ouro, com uma torre coberta, de vermelho, aberta de negro e gradeada de prata; nos cantões do chefe, duas harpas de azul; campanha ondada de verde e prata de cinco tiras. Coroa mural de prata de três torres. Listel branco, com a legenda a negro: «Manadas Sta Bárbara». Bandeira: esquartelada de verde e branco. Cordão e borlas de prata e verde. Haste e lança de ouro. Paulo Lopes Matos
História, actividades económicas e culturais Com uma extensão de 12,5 km2, as Manadas situam-se no extremo do concelho das Velas confrontando a norte com o Norte Grande, a oeste com a Urzelina, a sul com o oceano Atlântico e a este com a Calheta. Com uma topografia acidentada que desce desde o Pico da Esperança (1085 m) até ao mar, a sua população distribui-se fundamentalmente por três centros: as Manadas, centro da freguesia, os Terreiros e a Fajã das Almas.
Apesar de se situar no extremo da sede de concelho de Velas, as Manadas desenvolveram-se precocemente, ao que não terá sido alheia a proximidade da Calheta e as facilidades de comunicação marítima com os restantes portos. É provável que o seu povoamento se tenha iniciado em finais do século XV, a fazer fé na tradição oral que situa em 1480 o desembarque de gentes oriundas do Topo (Silveira, 2007: 48). Certo é que, já em 1559, a autarquia nomeava um juiz pedâneo para as Manadas, atestando a existência da freguesia, antes ainda da Urzelina (Santos, 1984: 60; Santos, 1987: 38). Em 1568 um diploma eclesiástico aumentava o ordenado do pároco a par das freguesias do Topo, Calheta, Ribeira Seca e Rosais (Arquivo dos Açores, 1983, VI: 188; Avellar, 1902: 310). O incremento da sua população parece ter sido rápido, apontando-se cerca de 281 almas em finais do século XVI (Frutuoso, 1998, VI: 91) e 524 em 1643 (Chagas, 1989: 501). No século XVIII estimava-se a sua população em cerca de 688 indivíduos no ano de 1766 (Madeira, 1997: 94) e 816 em 1797 (Matos, 1998: 580). Em 1849 recenseavam-se já 1220 habitantes (Silveira, 2001: 838) sendo, então, a freguesia mais densamente povoada a seguir aos centros urbanos de Velas e Calheta.
A igreja paroquial de invocação a Santa Bárbara remonta ao século XVI, eventualmente a finais do século XV segundo a tradição oral, mas a data mais provável parece ser 1510. Foi remodelada em 1736 segundo os padrões arquitectónicos dos jesuítas, sofrendo posteriores restauros, nomeadamente em 1770, e constitui um exemplo ímpar do barroco popular português. Foi, por isso, declarada como Monumento Nacional pelo decreto n.º 37/728 de 5 de Janeiro de 1950 (Silveira, 2007: 51). A festa religiosa da freguesia realiza-se a 4 de Dezembro. Nas Manadas existem, ainda, diversas ermidas filiais: as de Santo António da Mouraria, Santa Rita de Cássia e Nossa Senhora de Guadalupe situadas nos Terreiros, e as das Almas e Santo Cristo, na fajã (Avellar, 1902: 311-312; São Jorge. Açores. Guia [
], 2003: 101-102; Drumond, 1990: 371). Junto à igreja situa-se a Casa do Espírito Santo, reconstruída em 1935. O seu cemitério paroquial data de 1834 e o ensino primário de 1863 (Avellar, 1902: 310).
Existiam na freguesia duas fortificações para suster os ataques de piratas e corsários. A primeira, com casa de vigia, situava-se junto ao adro da igreja e fora construída em 1647, erguendo-se o seu baluarte em 1689, enquanto a segunda se edificara nos Terreiros provavelmente em 1721 com uma peça de fogo (Avellar, 1902: 311; Faria, 1998: 155-161; 213-219). A defesa estava ainda assegurada por uma companhia de milícia formada em 1621, ascendendo a duas em 1691 (Brazil, 2007: 7).
As principais actividades económicas da freguesia centravam-se em torno da pecuária e do fabrico de queijo e, ainda, da agricultura de subsistência, em particular do cultivo do milho e vinha. A partir dos seus pequenos portos das Manadas e Terreiros animava-se um pequeno comércio de cabotagem, em especial o da transacção de vinhos e queijos. Na segunda metade do século XIX a freguesia viria a sofrer importantes melhoramentos graças à intervenção de Francisco José de Bettencourt e Ávila, barão do Ramalho, um rico proprietário das Manadas (Avellar, 1902: 312). Actualmente a sua economia continua a basear-se na agro-pecuária destacando-se a produção do queijo da ilha, existindo, também, alguns serviços e comércio. A sua cooperativa é das mais antigas do país, datando de 1935.
Ao nível das actividades culturais conta a freguesia com a Sociedade Filarmónica Recreio Terreirense fundada em 1931 e reconstruída em 1951, após o incêndio das suas instalações. Esta associação promove a música mas, também, diversas modalidades no âmbito do desporto. A Casa do Povo, fundada em 1983, presta aos fregueses assistência médica e social; para além de diversas actividades culturais e de convívio, nela se integra o grupo de cantares «Os Dragões». No plano religioso destacam-se as festas do Espírito Santo (Maio e Junho) que na freguesia se corporizam na festa da Senhora dos Pescadores na Fajã das Almas. Nas festividades profanas assinala-se a festa do Emigrante (segundo fim-de-semana de Julho) com diversa animação, touradas de corda e bailes regionais (Brazil, 2007: 8) Paulo Lopes Matos
Bibl. Arquivo dos Açores (1983). Ponta Delgada, Universidade dos Açores, VI: 188. Avellar, J. C. S. (1902), Ilha de São Jorge (Açores). Apontamentos para a sua História. Horta, Tip. Minerva Insulana. Brazil, M. T. (2007), Manadas in Velas. Município. Velas, Câmara Municipal de Velas. Chagas, D. (1989), Espelho Cristalino em Jardim de Várias Flores, direcção e prefácio de Artur Teodoro de Matos, colaboração de Avelino de Freitas Meneses e Vítor Luís Gaspar Rodrigues. Ponta Delgada, Secretaria Regional da Educação e Cultura/Centro de Estudos Doutor Gaspar Frutuoso da Universidade dos Açores. Drumond, F. F. (1990), Apontamentos Topográficos, Políticos, Civis e Ecclesiásticos para a História das Nove Ilhas dos Açores servindo de suplemento aos Anais da Ilha Terceira, introdução de José Guilherme Reis Leite. Angra do Heroísmo, Instituto Histórico da Ilha Terceira. Faria, M. (1998) Tombos dos fortes das ilhas do Faial, São Jorge e Graciosa, Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, LVI: 89-275. Frutuoso, G. (1998), Livro Vaudades da Terra, edição de João Bernardo de Oliveira Rodrigues. Ponta Delgada, Instituto Cultural de Ponta Delgada. Madeira, A. B. (1997), População e Emigração nos Açores (1766-1820). Apêndice documental. Ponta Delgada, Universidade dos Açores. Matos, P. L. (1997), A população da ilha de S. Jorge na última década de Setecentos: estrutura e comportamentos, in O Faial e a Periferia Açoriana nos Séculos XV a XIX. Horta, Núcleo Cultural da Horta: 551-582. Pereira, A. S. introdução, transcrição e notas (1984), Vereações de Velas (S. Jorge 1559-1570-1571). Angra do Heroísmo, Secretaria Regional de Educação e Cultura dos Açores/Universidade dos Açores. Pereira, A. S. (1987), A Ilha de S. Jorge (Séculos XV-XVII). Contribuição para o seu estudo. Ponta Delgada, Universidade dos Açores. Silveira, L. N. E. (2001), Os Recenseamentos da População Portuguesa de 1801 e 1849. Edição Crítica. Lisboa, Instituto Nacional de Estatística, II. Silveira, M. J. (2007), Igreja de Santa Bárbara das Manadas, Velas. Município. Velas, Câmara Municipal de Velas.
URL http://www.acores.com/manadas/ [consultado a 23.11.2007].
