Manadas, freguesia
História, Actividades Económicas e Culturais É das mais antigas freguesias da ilha de S. Jorge, datando a sua primitiva igreja de 1485. Talvez pela distância que a separa das Velas, já em 1559 possuía alcaide e juiz pedâneo, vigário em 1568 e guarda do porto em 1570, rondando a sua população os 250 habitantes em meados de quinhentos, para, no final de seiscentos, possuir 800 habitantes. Em 1890 possuía 1.030 habitantes mas, como em toda a ilha, a sua população sofreu acentuado decréscimo passando para 800 habitantes em 1970 e, em 1991, para 439 a menos populosa de todo o concelho das Velas.
Confina a norte com a freguesia do Norte Grande cuja delimitação é o Pico da Esperança, o mais alto ponto da ilha, a sul com o mar e a oeste com a freguesia da Urzelina, que fez parte das Manadas até meados do século XVII. O seu extremo este delimita os concelhos das Velas e da Calheta através do vau da Ribeira Larga.
Implantada numa encosta bastante declivosa, a sua ocupação é dispersa e organizada de uma forma linear ao longo da estrada regional e no seu prolongamento ou ramal até ao mar.
Possui dois pequenos portos, já existentes no século XVI, localizados respectivamente nos Terreiros, onde nas suas cercanias foram construídas várias vivendas de veraneio, e um outro nas Manadas. Neste local, envolvente de uma pequena enseada e do porto de pesca com uma rampa para embarcações e um pequeno pontão, localiza-se, para além de algumas construções mais recentes, a Igreja de Santa Bárbara e as ruínas da antiga casa de vigia e baluarte
Esta paroquial é o único imóvel jorgense considerado Património Nacional. Construída no local da primitiva, é do século XVII, embora reconstruída em 1770, altura em que foi colocada a talha dourada, os quadros pintados sobre madeira na capela-mor e seis painéis de azulejos. O seu aspecto exterior é muito simples, passando despercebido aos transeuntes mas, no seu interior, a igreja é de uma riqueza extraordinária e com características muito curiosas, nomeadamente, o trabalho de talha dourada, painéis de madeira pintada, revestimento das paredes com azulejos a três cores reproduzindo episódios da vida de Santa Bárbara, que se dizem ter sido feitos no Porto, de propósito para esta igreja, telas representando os quatro evangelistas e outras várias obras de arte.
Possui ainda as ermidas de Santo António, propriedade dos Silveira; de Santa Rita, fundada pelo capitão António de Ávila Pereira no seu testamento de 1757; do Guadalupe, que pertenceu à casa do padre Jorge de Azevedo e de Santo Cristo, na Fajã das Almas. A ermida de Santo Cristo, fundada no último quartel do século XVII, foi reedificada, depois do incêndio que a devastou em 10 de Setembro de 1880, pelo Barão do Ribeiro e tornou-se ponto de devoção e de uma das grandes romarias da ilha. Ainda hoje se celebra a sua festividade em Setembro de cada ano.
Houve também, junto ao adro da igreja paroquial, uma casa de vigia, construída em 1647, em cujo lugar se fez, em 1689, o respectivo baluarte; também se construiu em 1721 outro baluarte no porto dos Terreiros.
Encontram-se ainda neste aglomerado alguns exemplos de arquitectura tradicional e exemplos de arquitectura erudita traduzida pelas casas solarengas implantadas na sua envolvente. Foi nos Terreiros, no solar mandado edificar em 1800 pelo capitão Damião de Sousa Soares, que nasceu em 12 de Setembro de 1827 o grande historiador jorgense, Dr. João Teixeira Soares de Sousa, que sobre esta freguesia escreveu em 1872 «sobe ali a ilha em um plano único desde o mar até ao Pico da Esperança, o mais alto da ilha e um dos mais elevados dos Açores. As sucessivas regiões botânicas da ilha oferecem-se ali a um golpe de vista do observador. As pastagens desta freguesia são as melhores da ilha e nela se fabricam os melhores queijos desta, bem conhecidos em todo o país».
O aprazível lugar dos Terreiros foi zona florescente na época da vinha e, mais tarde, na da laranja, muito embora a principal actividade económica da freguesia tivesse sido sempre a pecuária, fabricando-se óptimo queijo e manteiga, cuja cooperativa de lacticínios labora presentemente cerca de 750.000 litros de leite para fabrico de queijo. Com efeito, esta freguesia possuía em 1871 cerca de 800 hectares de terras aráveis dos quais 56% se destinavam à pastagem, 25% ao cultivo cerealífero, 5% a pomares e vinhas, sendo os restantes ocupados por mato e lenha, contribuindo com cerca de 9,82% para o rendimento colectável concelhio.
Na mesma altura encontravam-se registadas na Repartição da Fazenda 316 casas de morada, sendo 257 telhadas e 59 cobertas de colmo. Desta totalidade, 80% possuíam reduto ou quintal, onde os seus proprietários cultivavam alguns primores hortícolas.
Foi inicialmente abastecida de água potável por diversos chafarizes, cuja inauguração do primeiro ocorreu no dia 8 de Setembro de 1872 no Alto das Manadas, seguindo-se-lhe no mesmo ano e no imediato as inaugurações dos chafarizes da ermida do Guadalupe, de Santa Rita, da Igreja e dos Terreiros, todos eles em cantaria e ainda hoje existentes.
Em 1863 foi aberta a sua escola do sexo masculino e, em 1875, a do sexo feminino. O cemitério, construído em terreno expropriado, recebeu o seu primeiro enterramento em 21 de Outubro de 1834 e a sua estação postal foi inaugurada em 1889.
Possui também uma filarmónica fundada em 21 de Junho de 1931 e o Grupo de Cordas da Casa do Povo que remonta a 1996.
A Casa do Povo iniciou a sua actividade em 1973 num prédio alugado, tendo o actual edifício sido inaugurado a 17 de Março de 1983. Frederico Maciel
