mamona

1 Nome pelo qual são conhecidos os peixes da espécie Pseudotriakis microdon (Pseudotriakidae), segundo Ferreira (1939) (para S. Miguel), Collins (1954) e Santos et al. (1997). O epíteto específico microdon está associado ao tipo de dentição menos desenvolvida do que costuma ocorrer nos outros esqualos.

Segundo Quéro (1984), os indivíduos desta espécie têm espiráculos muito grandes, tão longos como os olhos; dentes diminutos e muito numerosos. Primeira barbatana dorsal extremamente longa, pelo menos tão longa como a barbatana caudal, baixa e francamente redonda por cima. Dorso e ventre de cor castanha/cinzenta fusco, com as margens posteriores das barbatanas pélvica, dorsal, anal e caudal mais escuras. Machos de comprimento total até 2,7 m e fêmeas até 2,95 m.

Indivíduos bênticos, ocorrem geralmente sobre o declive continental, entre 200 m e 1.500 m, ocasionalmente sobre a plataforma continental. Alimentam-se de peixes do fundo. Ovovivíparos, geram dois embriões de 90 cm de comprimento à nascença.

A espécie ocorre pelo menos no Atlântico oriental, no Índico ocidental e no Pacífico ocidental e central. Foi registada para os Açores por Ferreira (1939). Cf. «No segundo quartel do século XIX, introduziu-se em S. Miguel a indústria do azeite de peixe, que se extraía dos fígados de alguns seláceos e da camada de gordura de alguns cetáceos. [...]. Quando da pesca da quelma, apanhava-se às vezes um outro esquiálo, a que chamavam mamona que só mais tarde foi conhecido e descrito pelo naturalista portugês Felix de Brito Capelo [1868], que para o classificar teve de criar um novo género zoológico» (Ferreira, 1995: 585).

 

2 Nome pelo qual são conhecidas na ilha de S. Miguel as plantas da família das Euforbiáceas (Dicotiledónea) pertencentes à espécie Ricinus communis (Bernardo e Montenegro, 2003: 256) também conhecidas por carrapateira e bafureira (Schäfer, 2002: 116).

Segundo Schäfer (2002: 116), é semelhante a arbusto, sem latex, até 3 m de altura; ramos erectos, ramificados, glabros; folhas peltadas, palmatífidas, com até 30 cm de largura; lobos até 10, lanceolados, acuminados, serrados; inflorescência axilar, paniculada, até 25 cm; flores masculinas globosas, perianto com 3 a 5 lobos; flores femininas até 1 cm, perianto com 5 lobos; fruto espinhoso, vermelho brilhante, cápsula até 2 cm de comprimento, com 3 sementes; sementes em forma de elipse comprimida, com até 1,5 cm de comprimento; anual; floração de Abril a Setembro.

Planta ornamental nativa da África, foi referida para o arquipélago açoriano por Seubert (1844), onde ocorre em todas as ilhas como subespontânea, escapada da cultura. É comum em lixeiras e ravinas abaixo dos 200 m.

Luís M. Arruda

Bibl. Bernardo, M. C. R. e Montenegro, H. M. (2003), O falar micaelense. Fonética e léxico. S.l., João Azevedo Editor. Collins, B. L. (1954), Lista de peixes dos mares dos Açores. Açoreana, 5, 2: 103-142. Ferreira, E. (1939), Seláceos dos Açores. Açoreana, 2, 2: 79-97. Id. (1995), A pesca nos Açores e a situação económica dos pescadores In Livro do primeiro congresso açoriano que se reunio em Lisboa de 8 a 15 de maio de 1938, (2ª edição), Ponta Delgada, Jornal de Cultura: 583-585. Quéro, J.-C. (1984), Pseudotriakidae, In Whitehead, P. J. P., Bauchot, M.-L., Hureau, J.-C., Nielsen, J. e Tortonese, E. (eds.), Fishes of the North-eastern Atlantic and the Mediterranean. Paris, UNESCO: 101. Santos, R. S., Porteiro, F. M. e Barreiros, J. P. (1997), Marine Fishes of the Azores: An annotated checklist and bibliography. Arquipélago, Life and Marine Supplement, 1. Schäfer, H. (2002), Flora of the Azores, A field guide. Weikersheim, Margraf Verlag. Seubert, M. (1844), Flora azorica. Bona, Adolphum Marcum.